Coletânea de Newsletters produzidas pelo CAHist em 2016-2017

Complemento do Relatório do Comitê de Arquivos Históricos – CAHist, para a segunda reunião trimestral da Junaab  - Abril/2017.
 
Como parte de suas atribuições e com a aprovação da Diretoria Executiva, o CAHist iniciou no mês de abril de 2016 uma série de postagens de newsletters contendo eventos históricos de A.A. a nível mundial e nacional para o conhecimento dos membros e amigos de A.A. que fazem parte do cadastro do website de A.A. no Brasil – por volta de seis milhares de endereços eletrônicos.

Estas newsletters, ocupando um espaço reduzido a aproximadamente uma página formato A4, são resultado de pesquisa na literatura e websites oficiais de A.A. e no acervo próprios Arquivos Históricos da Junaab. Foram idealizados pelo CAHist como base para a composição de uma "Linha do Tempo" partindo dos eventos acontecidos em cada mês e registrados através dos anos. Está no propósito do CAHist alocar este link no website de A.A. já a partir dos primeiros meses de 2017.

Esta experiência de pouco mais de seis meses e 37 newsletters produzidas, a acolhida dos leitores – até a sua interrupção no final de outubro/2016, tem-se mostrado extremamente positiva, considerando as respostas de gratidão por essa atenção de um Comitê da Junaab. Chegaram e-mails de vários lugares do Brasil e até do exterior – dois de Moçambique, sendo um de uma freira agradecendo a lembrança e outro de um companheiro pedindo informações para abrir um Grupo de A.A. Alguns desses correios tratam de consultas a respeito da história, usos, costumes ou procedimentos tradicionais de A.A. Aqueles que estão ao alcance do conhecimento dos colaboradores do CAHist são respondidos após pesquisa minuciosa sempre amparada nos princípios de A.A. Aquelas consultas para as quais o CAHist não dispõe de subsídios para responder, a coordenadora encaminha ao pessoal do Departamento Internacional do ESG-Nova York, que, também dentro do seu conhecimento e possibilidades, tem sido extremamente atencioso.

Há, ainda, correios que demandam outro tipo de consultas de responsabilidade de outros Comitês da Junta – tais como CTO, CPP, Literatura,... e para estes Comitês são encaminhados.

Este material também está sendo utilizado por redatores de vários boletins de A.A. locais e regionais – por exemplo o "Boletim Informativo da Área 32"  de São Paulo, e no conteúdo de alguns websites institucionais. Além dessas divulgações, há noticias de vários leitores e leitoras que dizem estar colecionando e repassando estes comunicados para as suas listas eletrônicas – um deles escreveu dizendo que ao receber o comunicado faz uma cópia para cada membro do seu Grupo.

Após serem produzidas, as newsletters são enviadas para a Gerência Administrativa e para o Diretor Geral com sugestões para a data de postagem de cada uma, sendo que aí termina a responsabilidade do CAHist.

CAHist.

Índice

 

Janeiro de 1939: Apresentação do manuscrito aos nossos amigos

Finalizada a datilografia do livro "Alcoólicos Anônimos", os autores decidiram pedir que amigos não alcoólicos comentassem seu conteúdo, para garantir que não houvesse erros médicos ou materiais que pudessem ser ofensivos a pessoas de diferentes religiões. Foram feitas 400 cópias mimeografadas e enviadas a amigos e profissionais da área da medicina e da religião, para avaliação e comentários. Entre as sugestões recebidas destacam-se a de um médico de Baltimore propondo que um médico escreva a introdução.

Para mostrar no livro o apoio da medicina, o Dr. William D. Silkworth aceitou escrever uma introdução. Bill W. costumava descrever o Dr. Silkworth como "o pequeno doutor que amava os alcoólicos". O então médico chefe do Hospital Charles B. Towns em Nova York, "um homem que foi mais que um fundador de A.A. Com ele aprendemos a natureza da nossa doença. Ele nos forneceu as ferramentas para romper o inflexível ego do alcoólico, aquelas frases de impacto com as quais descreveu a nossa doença – a obsessão da mente que nos compele a beber e a alergia do corpo que nos condena a ficar loucos ou morrer". Foi o homem que disse a Bill W. que sua dramática experiência espiritual não era uma alucinação, mas uma experiência transformadora sobre a que poderia construir uma nova vida. E foi um dos muitos amigos não alcoólicos que, naqueles primeiros dias, quando A.A. era um pequeno movimento lutando para sobreviver, arriscou sua própria posição profissional para dar à nossa Irmandade o apoio que tanto precisava. Sua introdução, "A Opinião do Médico" faz parte das páginas preliminares do livro "Alcoólicos Anônimos".

Um dos comentários mais importantes para o futuro da Comunidade veio de um conhecido psiquiatra de Montclair, Nova Jersey – o Dr. Howard. "Ele salientou que o texto do nosso livro usava demais as palavras 'você' 'deve'. Sugeriu que as substituíssemos por 'nós' e 'deveríamos'. Sua ideia era remover todas as formas de coação, para que nossa Irmandade se estabelecesse na base de 'nós deveríamos' em vez de 'você deve'. Fazer essa mudança em todo o texto daria muito trabalho. Argumentei francamente contra isso, mas logo me dei por vencido; não havia duvidas de que o médico estava totalmente certo", disse Bill W.

As mudanças efetuadas na rígida abordagem inicial sem dúvida ajudaram a tornar esse livro aceitável para muitos alcoólicos teimosos nos anos seguintes. Por exemplo, na versão atual, o Capítulo 5 começa "Raramente vimos alguém fracassar tendo seguido cuidadosamente nosso caminho" - muito melhor do que o original "... seguido as nossas indicações". Da mesma forma, a frase "Se você chegou à conclusão de que quer o que nós temos e deseja fazer todo o possível para obtê-lo, então está pronto para seguir as nossas indicações" foi mudada para "... dar alguns passos"; também houve mudança na frase "Mas há alguém que tem todo o poder – esse alguém é Deus – você tem que encontra-Lo agora!", foi suavizado para "... Que você possa encontra-Lo agora!".

Frases tais como "o primeiro requisito é que..." já não aparecem no texto, e as palavras "Acreditamos que agora você pode aguentá-lo" que precediam a "Eis os passos que demos..." foram excluídas. E, felizmente, o livro já não diz, "Se você não está convencido destes assuntos vitais, deve voltar a ler o livro até este ponto ou jogá-lo no lixo".

O Dr. Harry Emerson Fosdick, o muito respeitado ministro da Igreja Presbiteriana Riverside de Manhattan, que deu uma calorosa acolhida ao livro e ainda escreveu um artigo muito favorável para a Irmandade.

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Janeiro de 1945: O primeiro Grupo para negros

No inicio de 1940, chegaram ao Grupo de Nova York dois alcoólicos negros recém saídos da prisão, a quem Bill havia convidado após proferir uma palestra naquela penitenciária. A reação no Grupo foi imediata. Tinha alguns sulistas que acharam que Bill tinha extrapolado ao tomar a decisão sem consultar o Grupo. Estavam dispostos a separar-se de A.A. Por outro lado, havia alguns nortistas que achavam que os negros deviam ingressar como membros normais e com privilégios plenos. E, é claro, aqueles que ficaram em cima do muro. Questionados os opositores a respeito de os negros terem o mesmo direito a A.A. quanto qualquer outro ser humano, eles concordaram, mas ficou mais ou menos combinado que os negros deveriam ser convidados a assistir como "observadores" às reuniões abertas ou fechadas do Grupo.

Esta solução funcionou. A primeira consulta recebida pelo ESG – então ainda Sede, feita por um alcoólico negro chegou em 1943, vinda de Pittsburgh. Em resposta a outra consulta no mesmo sentido em outubro de 1944, a então secretária da Sede, Bobbie B., escreveu: "nós ainda não temos noticias da existência de algum Grupo para negros em qualquer lugar, e este tipo de consulta está acontecendo com frequência quase diária. Sabemos que em Pittsburgh há um membro negro, e eu sugiro que você escreva para o Grupo de lá e descubra como trataram essa situação".

Em 24 de janeiro 1945, Cinco afro-americanos fundaram em St Louis, Missouri, o primeiro Grupo para negros. Pouco tempo depois Jim S. apadrinhado por Charlie, começa a realizar reuniões numa sala alugada da Associação Cristã de Moços, em Washington DC. Jim Scott, um médico negro, fundou na Carolina do Norte o primeiro Grupo de A.A. formado por negros. Seguiram-se Grupos para negros em Washington, DC e Cleveland. Logo após, em janeiro de 1946, começou outro Grupo em Los Angeles, que no prazo de um ano já contava com vinte membros.

A formação do primeiro Grupo de negros em Cleveland girou ao redor de uma mulher; assim duas minorias estavam envolvidas. Tratava-se de uma mulher negra que trabalhava em uma boate e chamou Oscar W., às três horas da madrugada dizendo-se revoltada com a vida. No dia seguinte chamou de novo dizendo que estava sóbria e querendo saber o que fazer. Oscar W. Levou-a ao Grupo Lake Shore. Disseram que ela poderia frequentar A.A., mas teria que participar de um grupo diferente. "Apesar de todas as atitudes liberais, ainda não se podia aceitar uma mulher negra", admitiu Oscar. O administrador do prédio disse que se ela ficasse todos deveriam sair. Assim, foi formado um Grupo próximo à casa dela em um bairro negro, na Cedar Avenue. As noticias que se espalharam falavam sobre 'algumas pessoas loucas que podiam ajudar você a parar de beber' (Ver capítulo "As Minorias" em O Dr. Bob e os Bons Veteranos). Em junho de 1946, o ESG registrou o Grupo Outhwaite, em Cleveland, Ohio; tinha oito membros. Um mês depois, havia notícias de Grupos para negros em Charleston, Carolina do Sul. No mesmo período, também começaram em Kansas City, Missouri e Toledo, Ohio  

Em 1947 aumentou o ritmo de criação de Grupos para negros. Começou um Grupo no Harlem de Nova York, e foram relacionados mais dois em Nova Jersey. A Filadélfia conheceu seu primeiro Grupo em Junho desse ano e também outro Grupo foi formado em Cincinnati. O primeiro Grupo para negros em Crowley, Luisiana, foi iniciado em maio de 1949. De acordo com Ann M., em 1952 havia aproximadamente 25 Grupos de A.A. dedicados unicamente a alcançar o alcoólico negro. Como nenhum esforço foi feito pelo ESG para fazer alguma distinção entre os Grupos para negros e os Grupos regulares, é praticamente impossível rastrear seu crescimento durante as décadas intermediárias, ou estimar seu número atual. Sabe-se que, obviamente, sua presença é muito relevante no norte de Ohio, Washington, DC, Atlanta, Geórgia e em muitas outras cidades com importante concentração de população negra.

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Janeiro de 1971: A morte de Bill W.

"Sempre eloquente, Bill continuou tão capaz como sempre de aferrar-se a uma causa em voga. Ao longo dos anos, o timbre da sua voz havia mudado muito pouco; em 1968, entretanto, quem prestasse atenção notaria que sua respiração havia-se tornado notoriamente curta. Seu hábito de fumar havia sido um problema durante anos...

Não se sabe ao certo quando Bill descobriu que estava com enfisema pulmonar. Em 1961, ele pediu à Conferência de Serviços Gerais que fosse feita uma provisão para Lois, no caso de morrer antes dela...".

No começo de setembro de 1970, Bill estava completamente prostrado na cama. Em novembro nunca desceu ao andar térreo. Nesse novembro, Lois leu sua mensagem de despedida durante seu jantar de aniversário; nesta mensagem Bill parafraseou o comprimento árabe que lhe tinha sido enviado por um membro. Escreveu a todos AAs: "Eu vos saúdo e dou graças pelas vossas vidas".

Em janeiro de 1971, o Dr. Ed, o médico que estava permanentemente em contato telefônico com a família, decidiu que o Instituto do Coração de Miami podia ser capaz de fazer alguma coisa por Bill, já que tinha um novo aparelho para respirar que poderia ajuda-lo e decidiu levar Bill de volta a Miami. Um velho amigo alugou um avião Lear Jet e o Dr. Ed voou desde Miami para acompanhar Bill na sua volta.

Nell, a secretária que havia ouvido Bill aconselhar um número incontável de pessoas, utilizou agora suas próprias palavras para consolá-lo. "Mantenha-se firme", dizia, e Bill respondia apertando sua mão.

O avião chegou a Miami ao cair da tarde e Lois estava quase exausta. Às oito da noite, depois de jantar e de que Lois houvesse voltado ao quarto de Bill para se despedir, Nell e ela retiraram-se aos seus quartos contíguos no hotel Holiday In, ao lado do Instituto. Bill estava cômodo e alegre quando Lois o deixou.

Era 24 de janeiro, data do 53º aniversário do casamento de Lois e Bill acontecido em 24 de janeiro de 1918, antes de Bill partir para a Primeira Grande Guerra. Bill morreu às 11:30h daquela noite.

O obituário de Bill apareceu na primeira página do jornal New York Times na Terça-feira dia 26 de janeiro. As Tradições não fazem referência ao anonimato póstumo e o nome completo de Bill, com sua fotografia, foi apresentado com destaque num artigo que ocupou uma página.

No dia 27 de janeiro houve um serviço comemorativo privado em Stepping Stones. A oração de São Francisco, a favorita de Bill, ecoou através das arvores que rodeiam a casa: "Ó Senhor! Faze de mim um instrumento de Tua Paz; onde há ódio, faze que eu leve o amor; onde há ofensa que eu leve o perdão; onde há discordia que eu leve a união; onde há dúvidas que eu leve a fé; onde há erros que eu leve a verdade; onde há desespero que eu leve a esperança; onde há tristeza que eu leve a alegria; onde há trevas que eu leve a luz!

Oh! Mestre! Faze que eu procure menos ser consolado do que consolar; ser compreedido do que compreender; ser amado do que amar. Porque é dando que se recebe; é perdoando que se é perdoado; é morrendo que se vive para a Vida Eterna. Amém".

No Escritório de Serviços Gerais – ESG, imediatamente depois da morte de Bill, deixaram de chegar as queixas de costume. Toda a combatividade e os apelos ao ESG para apaciguar disputas locais cessaram completamente. Durante um periodo de aproximadamente seis meses houve uma sensação de reorganização.

Em 5 de maio, depois que a terra em Vermont havia degelado, os restos de Bill foram sepultados no jazigo da familia no cemitério de East Dorset. A lápide é simples, do mesmo mármore branco que seu pai tinha retirado da pedreira para os edifícios e monumentos da Cidade de Nova York. Está enterrado junto a Clarence, seu tio Griffith que "legou" a Bill seu violino.

Na lápide está escrito: "William G. Wilson, 1895-1971". Há uma pedra ao pé do túmulo onde se le: "Vermont, 2D LT BRY C66 ARTy CAC, Primeira Guerra Mundial. 26 de Nov. 1895 – 24 de Jan. 1971".

Não há nenhuma menção a Alcoólicos Anônimos.

Leia algumas destas passagens no capítulo 25 e no Posfácio do livro "Levar adiante"

– Junaab, código 118.

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Fevereiro de 1938: Rockefeller salva A.A. do profissionalismo

Depois da visita que fez ao Dr. Bob em novembro de 1937, onde, junto com os membros de Akron, concordaram em escrever um livro, muito entusiasmado, Bill tomou o trem de volta para Nova York. A partir da ideia do livro começou a imaginar novos empreendimentos, hospitais, missionários, trabalhadores profissionais bem remunerados, etc. Sentiu que iriam precisar de dinheiro; de muito dinheiro. Neste ponto o Dr. Bob e os membros de Akron discordavam: achavam que o dinheiro estragaria tudo. Porém, Bill achou que aquele seria "um dos maiores desenvolvimentos de todos os tempos sob o aspecto médico e espiritual. Certamente os ricos nos ajudarão. Como poderiam deixar de fazê-lo?". Deixaram.

Equipados com uma lista de prováveis ricos que poderiam ajudar teve início a primeira - e última - cruzada de A.A. em busca de dinheiro. Quase todos achavam uma causa nobre, mas preferiam contribuir com instituições de renome como a Cruz Vermelha. Foi uma grande decepção.

Porém, através de seu cunhado, o Dr. Leonard V. Strong, Bill foi apresentado ao responsável pela distribuição dos donativos de John Davidson Rockefeller Jr. (1874 – 1960), Willard Richardson ("Tio Dick"), que se interessou muito pelo projeto e propôs outro encontro com o comparecimento de outras pessoas ligadas a Rockefeller.

Bill foi às nuvens. O encontro, em forma de jantar, aconteceu numa noite de dezembro de 1937 e contou com a participação, além dos representantes de Rockefeller, dos Drs. Silkworth e Bob, Bill e alguns membros de Akron e Nova York. Depois da exposição dos motivos, ouviram do Sr. Albert Scott, Presidente dos Curadores da Igreja Riverside: "será que o dinheiro não destruiria isso? A partir daí seguiram-se os mesmos questionamentos por parte da turma de Rockefeller que os membros de Akron faziam.

Em fevereiro de 1938Frank Amos foi enviado a Akron por John D. Rockefeller e fez um minucioso trabalho de investigação sobre o que denominou "Pretenso Grupo Alcoólico de Akron, Ohio". Ele investigou a vida do Dr. Bob e destacou sua competência profissional, como era querido e respeitado pela comunidade e a grande importância do trabalho que estava realizando para a recuperação de alcoólicos.  

No relatório diz que a renda do Dr. Bob era tão baixa que não conseguia manter uma secretária no consultório e tinha dificuldades para saldar as despesas básicas de casa. Fala da necessidade de ajudá-lo, ou teria de desistir da maioria dos trabalhos com os alcoólicos.

Sugere que Rockefeller, confidencialmente, arranja-se uma remuneração mensal para o Dr. Bob, por um período de pelo menos dois anos, até que a proposta do novo movimento pudesse seguir sozinha e talvez se tornar financeiramente independente em todos os sentidos. Lembrou que sua casa estava hipotecada e descreveu como seria utilizado o dinheiro: "A secretária custaria cerca de mil e duzentos dólares por ano. E também precisaria ter um bom carro – ele agora dirige um Oldsmobile bastante antigo – que seja veloz e seguro. Precisa de melhores instalações em seu consultório, não somente para seus pacientes particulares, mas para melhor tratar esses ex-alcoólicos que vão até ele, diariamente, em busca de inspiração e instrução. Ao todo, acho que uma quantia de cinco mil dólares ao ano, durante dois anos, deve ajudá-lo. Estou convencido de que essa tentativa daria certo". No total, Frank Amos sugeriu que Rockefeller doasse 50 mil dólares ao movimento (algo mais de 800.000 dólares em valores de 2017).

Como resultado de tudo isso, depois de relatórios, considerações, e recomendações levadas pelos seus representantesRockefeller expressou sua simpatia pela causa, e mandou dizer que estava depositando cinco mil dólares na tesouraria da Igreja Riverside como ajuda para a desesperada situação de Bill e do Dr. Bob "... isso dará a esses homens uma assistência temporária, mas a Irmandade deveria logo tornar-se autossuficiente. Se acharem que realmente o movimento precisa de dinheiro, vocês podem ajudá-lo a conseguir, mas, por favor, não me peçam mais". O conceito mais perfeito para o que viria ser a Sétima Tradição.

Esse dinheiro foi usado para pagar hipoteca de três mil dólares do Dr. Bob, e do que sobrou retiravam 30 dólares por mês cada um até o dinheiro acabar.

Mais tarde, em fevereiro de 1940, Rockefeller ofereceu um jantar no "Union Club" de Nova York – onde se fez representar por seu filho Nelson, pois estava doente – para que muitos de seus amigos pudessem conhecer a Irmandade. A publicidade resultante foi muito favorável.

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Fevereiro de 1952: Formação do Grupo Central do Brasil, no Rio de Janeiro-RJ

Em 19 de fevereiro de 1952 foi formado no Rio de Janeiro-RJ, o Grupo Central do Brasil – o primeiro Grupo de A.A. no Brasil após o pioneiro Rio Nucleus Group. Foi o desencadeador de A. A. pelo Brasil; de seus quadros (ou dos quadros de outros grupos fundados por membros dele saídos) saíram os mensageiros de A.A. pelo Brasil inteiro. Foi o iniciador de reuniões em hospitais, em indústrias. Promoveu a Primeira Convenção Nacional (em 1965). Lançou o 1º Boletim Nacional de Notícias. Traduziu e mandou mimeografar, distribuindo gratuitamente 34 títulos de literaturas. Lançou a Sacola da 7ª Tradição. Lançou a ficha de 5 anos, já que, até então, as fichas iam apenas até a verde-gravada de 2 anos.

Primeiros membros do Grupo Central:

Paulo S., Laert, Martins, Manoel V., Paulo II, Armando G. Henrique

Suas reuniões:

Dias e Horas: 3ª feiras, 19 às 21 horas.

Seus locais de reunião:

  • 1º local: Rua Tarumã nº 14 (Bairro Humaitá - RJ)
  • 2º local: Av. 13 de Maio (escritório do comp. Nonato)
  • 3º local: Av. 13 de Maio (escritório do Dr. H. L. Mellmann)
  • 4º local: Av. Mar. Floriano, 181 – sobrado.
  • 5º local: Idem (auditório cedido pelo INAMPS)
  • 6º local: Rua Alexandre Mackenzie, 108 – sobrado.
  • 7º local: Por baixo da Igreja de Santana, na rua do mesmo nome, Praça 11.

Grandes amigos divulgadores:

ü  Rádio Nacional: Programas "Nada Além de Dois Minutos", "Gente Que Brilha" "Obrigado Doutor". Todos do saudoso amigo Dr. Paulo Roberto.
ü  Rádio NacionalLourival Marques e seu programa diário, "Seu Criado...".
ü  Rádio Globo: Programa, "Mesas Redondas do Tio Kurtzs".
ü  Jornal "O Globo": Colunas constantes de Elsie Lessa e de Henrique Pongetti

Em 2017:

O Grupo reúne-se às segundas, terças e quintas-feiras das 19:00h às 21:00h, na Rua Prof. Clementino Fraga 22, Centro, CEP 20230-250, Rio de Janeiro – RJ. Ponto de referência: Igreja de Santana.

Fonte: Apostila "Alcoólicos Anônimos no Brasil – Datas e Fatos Anotados", do historiador e membro desse Grupo, Luiz M., falecido em 1992.

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Fevereiro de 1976: Criação da JUNAAB

Em 29 de fevereiro de 1976, durante o Terceiro Conclave Nacional, em São Paulo, reuniram-se os membros do Conselho Diretor do CLAAB e 29 Delegados representando 16 Estados, e criaram a Junta Nacional de Alcoólicos Anônimos do Brasil– JUNAAB.

A Ata relativa à instituição da Junta Nacional de Alcoólicos Anônimos do Brasil – JUNAAB, e respectivo Estatuto, foram registradas sob o número 2.519, no dia 20 (vinte) de junho do mesmo ano (1976), no Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas de São Paulo, Capital, enquanto o novo Estatuto e a Ata da Constituição do CLAAB, (...) acham-se  registrados no 1° Cartório de Registro de Títulos e Documentos de São Paulo, em data de 20 de junho de 1976, sob o número 2.548 e anotado sob o número 19. 671, Livro "A", n° 19 do Registro de Pessoas Jurídicas.

A Assembleia que criou a JUNAAB credenciou A.A. no Brasil, a enviar dois representantes para a IV. Reunião de Serviço Mundial, em Nova Iorque, em outubro de 1976. Representaram o Brasil os companheiros Donald L. e Joaquim Inácio.

A JUNAAB é uma Sociedade Civil sem fins lucrativos, cujo propósito primordial é o de promover a unidade e a continuidade da Irmandade de Alcoólicos Anônimos no Brasil, sendo apenas um órgão de Prestação de Serviços, tendo como principais objetivos:

a)   A prestação de serviços gerais de A.A. no plano nacional.
b)   Ser a guardiã dos Doze Passos e das Doze Tradições de A.A.
c)    Credenciar-se a enviar dois Delegados para a 4ª Reunião de Serviço Mundial, em Nova York, em outubro desse ano (e nas RSMs seguintes). Nesse ano - 1976, os Delegados escolhidos foram Donald L. (SP) e Joaquim Inácio (RS).

O Estatuto dispunha que seriam Órgãos da JUNAAB:

1.-    Uma Assembleia Geral, composta pelos Delegados Estaduais, denominados "Membros da Junta", com mandato de dois anos, que se reúnem anualmente por ocasião da Conferência de Serviços Gerais de A.A.
2.-    Uma Diretoria escolhida pela Assembleia Geral dentre os Delegados Estaduais, que exercerão os cargos de Presidente, Vice-Presidente, Primeiro e Segundo Secretário, cujo mandato é de 1 ano. Estes Diretores presidirão as Assembleias da JUNAAB e a representarão nos intervalos das reuniões anuais.
3.-    CLAAB, ou seja, Centro de Distribuição de Literatura de A.A. para o Brasil é o órgão executor dos serviços gerais de A.A. no plano nacional, funcionando como Escritório de Serviços Gerais e como órgão executivo da JUNAAB no Brasil, da qual é subordinado. O CLAAB tem a mais ampla autonomia administrativa, regendo-se por seus Esta­tutos, sendo a sua subordinação a JUNAAB regulada pelos seus Estatutos, e pelos da Junta. Ao CLAAB compete:

a)   Publicar e distribuir em todo o terri­tório nacional, devidamente traduzida para o português, a literatura aprovada pela Confe­rência de Serviços Gerais de A.A., conforme au­torização de "Alcoholics Anonymous World Ser­vices, Inc. (AAWS)", proprietária dos direitos autorais;
b)   Resguardar os direitos autorais de AAWS em todo o território nacional;
c)    Promover quaisquer atividades que te­nham por objetivo a unidade e a continuidade da Irmandade de A.A. no Brasil;
d)   Promover, enfim, a mais ampla divulgação do programa de A.A. para a recuperação de alcoólicos, estabelecendo e mantendo sólidas atividades de relações públicas no trato com a imprensa escrita, falada e televisada e outros meios de comunicação, bem como com as autoridades constituídas e qualquer órgão interessado no problema do alcoolismo, sem, todavia, se filiar a nenhum deles.

Na 8ª Conferência de Serviços Gerais, em 1984, em Blumenau, a que deu posse à Junta de Custódios, a JUNAAB deixa de se denominar Junta Nacional de Alcoólicos Anônimos do Brasil, para se chamar Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos do Brasil. Por ser difícil a pronúncia de JSGAAB, optou-se por mudar o nome e manter a sigla JUNAAB, mais fácil de pronunciar e já conhecida de todos os membros.

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Março de 1941 – Publicação do artigo de Jack Alexander

As vendas da primeira impressão da primeira edição foram dolorosamente baixas. Levou quase dois anos para vender todas as 4.650 cópias contratadas à gráfica. O fato de que o subtítulo do livro era "A História de Como Mais de Cem Homens se Recuperaram do Alcoolismo" trouxe dúvidas à sociedade de que isso fosse possível – até então, era inconcebível que um viciado pudesse se recuperar e, muito menos entender aquela condição – não como um vício, mas como uma doença. Então, em primeiro de março de 1941, a The Saturday Evening Post a mais popular revista daqueles dias, com tiragem de mais de três milhões de exemplares, circulou com um artigo muito favorável sobre A.A. onde o jornalista investigativo Jack Alexander, após uma pesquisa minuciosa em todo o país (EUA) relatou naquele artigo intitulado "Alcoólicos Anônimos Escravos libertos da bebida, agora libertam outros", que, realmente, dos alcoólicos que haviam se juntado à Irmandade desde seu início em junho de 1935, indicando, "Como é impossível desqualificar todos os candidatos que se apresentam, a porcentagem de recuperação não chega a 100%. De acordo com estimativas de A.A., cinquenta por cento dos alcoólicos filiados recuperam-se quase imediatamente: vinte e cinco por cento melhoram após uma ou duas recaídas e o restante permanece em dúvida. Este índice de sucesso é excepcionalmente elevado...", escreveu Jack - (veja o artigo completo no livreto "O Artigo de Jack Alexander" – Junaab, código 228).

Depois da publicação do artigo, o escritório de Nova York foi inundado com consultas a respeito da Irmandade e seu programa de recuperação e conseguiu vender todos os exemplares existentes no estoque. Já naquele mesmo mês de março, foi feita a segunda impressão com tiragem de 5.000 cópias. No início desse ano, 1941, a Irmandade contava com 2.000 membros; no final desse mesmo ano já contava 8.000 membros. Embora sem fatalismos, talvez não fosse aquele inspirado artigo, Alcoólicos Anônimos poderia aos nossos dias. Dessa maneira, o texto deste artigo merece o mesmo destaque para o entendimento do pioneirismo da Irmandade que o próprio Livro Azul, assim como no acervo da literatura de A.A. dos Grupos.

A história por trás deste artigo começa quando o proprietário do The Saturday Evening Post, o juiz Curtis Bok, soube da existência de A.A. através de dois amigos. Teve interesse em que o Post contasse a história da organização e chamou um conhecido jornalista de The Saturday Evening Post, Jack Alexander, para fazê-lo.

Bill W., cofundador de Alcoólicos Anônimos, ansioso por divulgar a mensagem de A.A., reuniu-se com Alexander. Deu a ele acesso aos documentos de A.A., ofereceu um tour pelos lugares de interesse de A.A. e acertou entrevistas com os Custódios não alcoólicos da Fundação do Alcoólico e com os Custódios membros de A.A.

A correspondência que mantiveram Jack Alexander e Bill W. no início de 1941 é uma mostra do entusiasmo que era sentido diante da expectativa da publicação do artigo. No dia 4 de janeiro de 1941, Alexander escreveu a Bill W. e lhe enviou o manuscrito do artigo para que Bill o lesse. Em 6 de janeiro, na resposta de Bill, pode ser apreciado o entusiasmo pela publicação do artigo. Bill escreveu: "Eu gostaria ser capaz de expressar adequadamente o sentimento de gratidão que cada um de nós sente por você e por Saturday Post, pelo que está próximo a acontecer. Não pode imaginar o alívio direto de tanto sofrimento que chegará ao seu fim graças à sua caneta e aos seus bons editores".         Extraído de: http://www.aa.org/pages/es_ES/jack-alexander-article

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Março de 1948 – Encontro de Herberth L. e Harold W.

A tradução da primeira literatura de A.A. no Brasil

No início de 1948Herberth L., iniciador de A.A. no Brasil,  conseguiu publicar o primeiro de uma serie de artigos sobre o alcoolismo, primeiro no jornal "O Globo" e depois no "Brazil Herald" em língua inglesa. Como resultado dessa publicidade, um morador de Ingá em Niterói-RJ, Kenneth W. pediu ajuda para assistir seu irmão arruinado pela bebida, o contabilista e consultor de empresas Harold R. W., anglo-brasileiro, neto de ingleses, nascido em Santa Teresa no Rio de Janeiro. Na manhã do dia 13 de março de 1948, Herb foi visitar Harold na casa de Kenneth, onde morava de favor, e lá o esperava com a mão direita estendida muito tremula, enquanto a mão esquerda segurava com força um copo de cachaça.

Deste encontro saiu um acordo segundo o qual Harold tentaria parar de beber substituindo os goles de cachaça que fosse tomando por água da bica até que o copo conteve-se apenas água; conseguindo isso, que traduzisse do inglês para o português um panfleto de A.A., que Herb havia trazido consigo dos EUA e que estava deixando com Harold. Também ficou acordado que na próxima quarta feira, 17 de março, à tarde, Harold deveria ir a um novo encontro com Herb no salão de café na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI).

Na data marcada Harold bebeu de manhã o que seria seu último gole, e à tarde cumpriu o prometido, embora não tivesse traduzido o folheto inteiro. Este folheto, produzido por um Grupo dos EUA, seria conhecido no Brasil como "Folheto Branco", ou "Livro Branco" pela cor da sua capa que continha a sigla "A.A.", o título "Alcoólicos Anônimos" e o endereço "Caixa Postal 254 – Rio de Janeiro, Brasil".

Este libreto foi a primeira literatura de A.A. no Brasil. Harold também traduziu nessa época "A.A. Tradições", - as Doze Tradições escritas na forma longa e que ainda iriam ser homologadas na Primeira Convenção Internacional de Cleveland, em julho de 1950 com esse nome, mas que ainda eram conhecidos como "12 Pontos Para Assegurar o Nosso Futuro". O formato deste folheto era exatamente igual ao anterior, substituindo na capa, também branca, "Alcoólicos Anônimos" por "A.A. Tradições.".

O nome "Livro Branco" é apenas figurativo – não aparece escrito em nenhum espaço do texto – assim, os exemplares ainda existentes somente poderão ser identificados pelo seu conteúdo (não tem imagens) e seus tamanhos variam muito dependendo do Grupo que os mandava imprimir para serem distribuídos gratuitamente. O libreto contem as seguintes seções: "Que é Alcoólicos Anônimos?"; "Sou alcoólico?"; "Como age a 'A.A.'?"; os Doze Passos são apresentados assim: "São estes os passos que demos e que são sugeridos como um Programa de Reerguimento" (segue o enunciado dos Doze Passos); "Aos amigos dos alcoólicos". Na última seção, "Sou um alcoólico?" diz que "Ninguém na 'A.A.' tentará dizer-lhe se você é ou não alcoólico. Aqui está parte de um teste sobre alcoolismo usado pelo hospital John Hopkins. A título de verificação responda a estas perguntas e seja seu próprio juiz", e segue uma lista de 15 perguntas. Na contracapa aparece: "A finalidade deste panfleto é mostrar como milhares de nós, que éramos alcoólicos sem esperança, saramos dessa doença. Encontramos um meio de viver que não nos obriga mais a beber. A 'Alcoólicos Anônimos' é a grande realidade que destruiu a nossa obsessão".

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Abril de 1939 - Publicação da primeira edição do  Livro Alcoólicos Anônimos

Em novembro de 1937, Bill W. e  Dr. Bob encontraram-se em Akron para avaliar os resultados do movimento. Contabilizaram uns 40 casos de sobriedade, incluindo eles próprios – Bill três anos e Dr. Bob dois anos e meio.  Entenderam que o resultado era animador e consideraram então que poderiam escrever um livro com o texto básico que contasse a história e as experiências dos primeiros tempos da Irmandade e que, sem distorções, levasse a mensagem aos lugares onde não poderiam ir pessoalmente. O livro começou a ser escrito em maio de 1938. Em 1939  estava pronto, mas sem título. A princípio foram cogitados mais de cem títulos, entre eles "O Copo Vazio""O Caminho Seco", "A Vida a Seco", "Fronteiras Secas", "Uma Saída", "O Céu", "A chegada da Aurora, "Cem Homens", The Way Out", algo como, "O Caminho da Saída"  "Movimento Bill W." e "Their Pathway to a cure" ou algo como "Seu Caminho Para a Cura". A última opção veio em decorrência da própria situação: depois de se separar do Grupo de Oxford, os membros do movimento, também sem nome, uns cem entre homens e mulheres sem qualquer referência, passaram a tratar a si próprios como "um punhado de alcoólicos sem nome". Derivou daí o título para o livro, "Alcoólicos Anônimos", e o nome da Irmandade.

Para se certificar que o livro seria bem aceito pela opinião pública e não entraria em conflito com a medicina e a religião, antes da impressão, foram feitas 400 copias e enviadas a profissionais e leigos interessados no problema do alcoolismo, com o pedido de devolvê-las acompanhadas de comentários ou sugestões. Entre as sugestões que vieram, uma foi particularmente importante: o texto usava demais as palavras "você" e "deve", e sugeriu que se substituíssem por "nós" e "deveríamos". O texto todo foi revisado e adaptado a essa sugestão.

Conforme consta no Registro de Direitos Autorais em Washington DC, EUA, a primeira edição do livro "Alcoholics Anonymous" e o subtítulo "A história de como mais de cem homens e mulheres se recuperaram do alcoolismo" saiu em 10 de abril de 1939 e seu autor e detentor dos direitos é "Wm. G. Wilson", a editora, a "Work Publishing Co." e o endereço, "17 William St., Newark, New Jersey". O registro foi feito no dia 19 de abril de 1939 sob o número 25687, e a taxa de registro foi de $2,00 (dois dólares). Foram impressos os primeiros 4.730 exemplares com a ordem para fazer a impressão com o papel mais grosso e as letras em tamanho maior que o normal para dar um ar de autoridade intelectual e justificar o preço (muito elevado naquela época), que foi de 3,5 dólares o exemplar. Assim, a edição original tornou-se tão volumosa que imediatamente ficou conhecida como Big Book (Livro Grande). A primeira edição em abril de 1939, teve 16 reimpressões e foram distribuídas 300.000 cópias; a segunda edição foi publicada em julho de 1955; a terceira edição, em 1976. A quarta edição saiu em fevereiro de 2001. Entre os dias 25 de junho e 29 de setembro de 2012, a Biblioteca do Congresso dos EUA realizou uma exposição em Washington, DC, mostrando os 88 livros que "moldaram a Nação Americana e influenciaram na visão que o mundo tem da América". Entre esses livros encontra-se o livro "Alcoholics Annonymous" ou Big Book. Na 14ª Convenção Internacional de A.A. em Atlanta, Geórgia, em julho de 2015 por ocasião 80º aniversário de A.A., foi presenteado exemplar de nº 35.000.000 à congregação das Irmãs da Caridade de Santo Agostinho da qual a irmã Inácia fazia parte.

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Abril de 1946 – Publicação das Doze Tradições de A.A.

No final de 1941, e em função do artigo "Alcoólicos Anônimos – Escravos libertos da bebida agora ajudam outros" ("O artigo de Jack Alexander", Junaab, código 228), escrito pelo jornalista investigativo Jack Alexander e publicado no semanário The Saturday Evening Post – de Indianápolis, Indiana, em primeiro de março, o número de membros tinha saltado de dois mil em 1940, para oito mil naquele ano. Motivada por essa incrível expansão, a publicidade nacional voltou-se para a Irmandade, fazendo com que fosse mais procurada. Precisava ser estabelecida uma cuidadosa norma de relações públicas para lidar com essa nova situação.

A principal atenção foi dada à classe médica e religiosa. Em nenhuma circunstância se deveria entrar em competição com uma ou com outra. Assim, deu-se ênfase ao fato de que "A.A. é um modo de vida" que não entra em conflito com nenhuma crença religiosa, ou qualquer especialidade da medicina.

Deixou-se que os médicos soubessem o quanto precisávamos de hospitalização, e foram sugeridas aos profissionais da saúde e às clínicas de desintoxicação as vantagens da cooperação.

Sempre a prática da medicina seria da competência dos médicos, e os assuntos religiosos dos clérigos. Como alcoólicos leigos, A.A. seria apenas uma ligação.

Foram definidas formas de cooperar com a imprensa, o radio, a televisão e o cinema; com os empregadores; a educação, pesquisa e reabilitação; o quê dizer em hospitais, clínicas e instituições correcionais; para que fins, e como o nome de A.A. deveria ser usado, e em que situações os membros poderiam expor-se; como seriam custeados os Grupos, escritórios, órgãos de serviço etc.

Para responder a essas questões foram codificados "Doze Pontos para Garantir Nosso Futuro" - conjunto de princípios sugeridos para assegurar a sobrevivência e a expansão dos Grupos que compõem A.A. Baseados nas experiências dos próprios Grupos durante os primeiros anos cruciais da Irmandade, eles se relacionam à condução dos assuntos internos dos Grupos, à cooperação entre si próprios e ao seu relacionamento com a comunidade externa.

Veja o artigo "Doze Pontos sugeridos para as Tradições de A.A." escrito por Bill W. para a edição da revista Grapevine de abril de 1946 – quando foram oficialmente propostos e divulgados para a Irmandade, a partir da página 24 do livro "A Linguagem do Coração" (Junaab, código 104), onde esses Pontos aparecem na forma integral.

Em Junho de 1949, esses Doze Pontos receberam a denominação atual - "As Doze Tradições de Alcoólicos Anônimos" e assim foram aprovadas pelos mais de 3.000 membros participantes da Primeira Convenção Internacional de A.A. realizada em Cleveland, Ohio, em julho de 1950, onde as Tradições foram apresentadas como "a plataforma sobre a qual nossa Irmandade irá funcionar melhor e se manter unida para sempre".

NO BRASIL

No acervo dos Arquivos Históricos da Junaab há um pequeno livreto intitulado "A Tradição de A.A." que, supõe-se, seu original teria sido trazido por algum membro de A.A. norte-americano a serviço no Rio de Janeiro durante os anos de 1940. O texto do livreto contém além de "Os Doze Pontos para Assegurar Nosso Futuro" explanações sobre anonimato, dinheiro e outros assuntos. Foi traduzido em 1948 por Harold W., um dos primeiros membros de A.A. no Rio de Janeiro e distribuído conforme pedidos chegados através da Caixa Postal 254, cedida pela Associação Cristã de Moços – ACM. Este livreto faz parte de uma série de publicações produzidas no início de A.A. no Rio de Janeiro que ficou conhecida como "Folhetos Brancos" - entre eles, um que ficou particularmente conhecido como "Livro Branco" - pela sua caraterística de terem suas capas feitas na cor branca – às vezes, para economizar, da mesma gramatura das páginas internas. 

A primeira publicação das Doze Tradições no Brasil, autorizada por A.A.W.S., ocorreu em setembro 1973, com a edição de uma brochura com capa na cor vermelha. Em junho de 1995, este texto juntou-se ao livro "Os Doze Passos", (uma brochura com capa na cor verde) e dai resultou o livro atual "Os Doze Passos e as Doze Tradições" (Junaab, código 105).

A forma integral das Doze Tradições pode ser encontrada nos livros: "Alcoólicos Anônimos" (Junaab, código 102, pg. 207); "Os Doze Passos e As Doze Tradições" (Junaab, código 105, pg. 170); o livreto "O Grupo de A.A..." (Junaab, código 205, pg. 55). A forma curta das "Doze Tradições" encontra-se nas mesmas publicações e em outros exemplares da literatura de A.A., além dos banners expostos em grande parte das salas de reunião dos Grupos.

SAIBA MAIS:

http://www.alcoolicosanonimos.org.br/comites/cahist/documentos-cahist/35-as-doze-tradicoes-de-a-a

http://www.alcoolicosanonimos.org.br/comites/cahist/documentos-cahist/34-as-doze-tradicoes-de-a-a-ou-os-filhos-do-caos

Material produzido pelo Comitê de Arquivos Históricos da Junaab - CAHist. Pode ser reproduzido integralmente por quaisquer veículos de comunicação de A.A. desde que seja citada esta fonte. Este departamento solicita que eventuais dados em desacordo com fatos documentados sejam comunicados através do e-mail:

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Abril de 2016 - Uma saudação à XIX Convenção Nacional de A.A.

"Uma das experiências mais extraordinárias na vida sóbria de um alcoólico e na sua lembrança é o impacto impressionante e de grande escala da Convenção de A.A. Desde o momento em que um membro faz a sua inscrição para assistir, alguma coisa começa a acontecer que apenas pode ser descrita muito limitadamente e não encontra uma explicação absoluta. É como se fossem colocados de um lado dividendos na sua conta pessoal a serem pagos, com juros, na convenção e continuar a recebê-los por um logo período posterior".

Grapevinenovembro de 1969

A Irmandade de A.A. no Brasil saúda a estrutura de Alagoas e os participantes da XIX Convenção Nacional de A.A., com participação dos Grupos Familiares Al-Anon, que se celebra entre os dias 21 a 23 de abril de 2016, no Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso na cidade de Maceió.

As Convenções de A.A. fazem parte da história da Irmandade nos EUA/Canadá, onde tiveram início, e foram usadas regularmente para fazer importantes declarações de consciência à Irmandade. Assim, a Primeira Convenção Internacional, realizada em Cleveland, Ohio, em julho de 1950, foi idealizada para que o Dr. Bob, portador de um câncer em fase terminal, pronunciasse sua última mensagem à Irmandade (ele morreu cinco meses depois) e também para pedir aos mais de 3.000 participantes a aprovação das Doze Tradições. Outros importantes comunicados à Irmandade foram feitos, por exemplo, na Convenção de 1955, em St. Louis, Missouri, quando foi feita a Declaração da Maioridade de A.A. e a Resolução de os Grupos delegarem a responsabilidade final pelo Serviço Mundial de A.A. à Conferência (I Conceito); em 1965, na Convenção de Toronto, Canadá, foi promulgada a Declaração de Responsabilidade; em 1970, durante a Convenção de Miami Beach, na Florida, foi apresentada a Declaração de Unidade, além de ser a última participação de Bill W. - que morreria pouco mais de seis meses depois.  Desde a primeira Convenção, em 1950, todas as Convenções Internacionais foram realizadas sistematicamente a cada cinco anos, sempre em julho e coincidindo com o Dia da Independência dos EUA – quando no seu território. A última ocorreu em julho de 2015 em Atlanta, na Geórgia.

Mesmo sendo apenas eventos para a celebração da unidade e não façam parte da estrutura formal, as primeiras Convenções de A.A. no Brasil serviram como fórum de debates para a criação da Junta de Serviços Gerais e da Conferência de Serviços Gerais, que precisaram ser implementadas por força de um acordo feito com A.A.W.S. (Serviços Mundiais de A.A.) que condicionava a autorização para a tradução do Livro Azul (publicado em novembro de 1969) à criação de uma estrutura formal de serviços gerais de A.A. no Brasil. Assim a primeira Convenção Nacional – que aqui recebeu o nome de Conclave Nacional e passaria a receber aquele nome a partir da sétima Convenção, ocorreu em São Paulo-SP durante o carnaval de 1974. Foram todas elas:

  • 1974 - I Conclave, São Paulo, SP.
  • 1975 - II Conclave, São Paulo-SP.
  • 1976 - III Conclave, São Paulo-SP.
  • 1977 - IV Conclave, Recife-PE.
  • 1978 - V Conclave, Belo Horizonte-MG. 
  • 1980 - VI Conclave, Porto Alegre-RS.
  • 1982 - VII Convenção, Fortaleza-CE.
  • 1984 - VIII Convenção, Blumenau-SC.
  • 1986 - IX Convenção, João Pessoa-PB.
  • 1988 - X Convenção, Curitiba-PR.
  • 1990 - XI Convenção, Belém-PA.
  • 1992 - XII Convenção, Brasília-DF.
  • 1994 - XIII Convenção, Terezina-PI.
  • 1997 - XIV Convenção, Rio de Janeiro-RJ.
  • 2000 - XV Convenção, Salvador-BA.
  • 2003 - XVI Convenção, São Paulo-SP.
  • 2007 - XVII Convenção, Manaus-AM.
  • 2012 - XVIII Convenção, Cuiabá-MT.
  • 2016 - XIX Convenção, Maceió-AL.

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Maio de 1935: O encontro de Bill W e do Dr. Bob

Sóbrio havia cinco meses, Bill W. foi enviado pela corretora onde trabalhava para negociar o controle acionário de uma pequena fábrica de ferramentas, da qual poderia se tornar seu presidente, na cidade de Akron, Ohio. O negócio fracassou e de volta ao Hotel Mayflower, onde se hospedava, teve vontade de beber; porém, considerou que, se conseguisse falar com outro alcoólico, poderia manter a sobriedade. Era um sábado 11 de maio de 1935.

No saguão do hotel havia um diretório de Igrejas; colocou seu dedo num nome e telefonou para o Rev. Walter Tunks que lhe deu uma lista com dez nomes de pessoas da comunidade com quem poderia fazer contato. Somente na décima ligação teve sucesso: Norman Shephard dá o nº de telefone de Henrietta Buckler Seiberling (1888 – 1979), que assim descreve o telefonema: "Era Bill Wilson, e nunca esquecerei o que ele me disse: 'sou do Grupo de Oxford, e sou um sabujo (cão de caça), de bebida alcoólica que vive em Nova York'. 'Venha já para cá' eu disse. Ele veio e ficou para o jantar. Pedi-lhe que me acompanha-se até a igreja na manhã seguinte e lhe disse que contataria Bob. Foi o que fiz". E se propôs a marcar um encontro com o médico cirurgião Robert Holbrook Smith (Dr. Bob) (1879-1950) – também membro do Grupo de Oxford de Akron havia dois anos e meio - um beberrão cético, já beirando o desprestigio profissional.

O encontro aconteceu no dia seguinte, domingo 12 de maio de 1935 - Dia das Mães - com a condição imposta pelo Dr. Bob de não durar mais de quinze minutos. "Chegamos lá – na casa de Henrietta- às 17h00, e eram 23h15 quando saímos", contou depois o próprio Dr. Bob, que compareceu acompanhado por sua mulher Anne.

Os dois ficaram a sós e Bill fala de sua experiência alcoólica, o sofrimento, as promessas, os fracassos, da visita de Ebby e sua mensagem simples: um alcoólico falando com outro alcoólico; porém, foi citando o Dr. William Duncan Silkworth (1873-1951) ao identificar aquela condição dos dois como uma doença caracterizada por uma obsessão mental seguida de uma alergia física, que o Dr. Bob subitamente compreendeu o que lhe afligia; como médico, nunca tinha pensado nessa possibilidade. Passadas mais de cinco horas de compartilhamento e reciprocidade produziu-se a identificação necessária entre dois alcoólicos que falando de si próprios, um para o outro, conseguem manter-se afastados da bebida, e desta constatação deriva toda a proposta de A.A.

Para a posteridade, um disse do outro:

"Bill foi o primeiro ser humano vivo com quem eu já tinha falado que, inteligentemente, discutiu meu problema a partir de uma experiência real. Ele falou a minha língua". Dr. Bob.

"Bob foi a rocha sobre a qual A.A. foi fundada. Sob seu apadrinhamento, com um pequeno apoio meu, o primeiro Grupo de A.A. no mundo nasceu em Akron, em junho de 1935". Bill W.

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Maio de 1939: O primeiro Grupo com o nome"Alcoólicos Anônimos"

Pouco mais de mês depois da publicação do livro"Alcoólicos Anônimos"– em 10/04/1939,no dia18 de maio de1939, Clarence S.(1902-1984),frequentador do"esquadrão alcoólico"do Grupo de Oxford de Akron, forma em Cleveland o primeiro Grupo com a denominação de"Alcoólicos Anônimos"– oGrupo ClevelandHeights de Alcoólicos Anônimos. Este Grupo já não tinha qualquer ligação com o Grupo de Oxford de Akron, onde os alcoólicos da região apadrinhados pelo Dr. Bob se reuniam.

A princípio, com a presença de 16 membros, passou a se reunir na casa deAbby G.Em outubro desse ano este Grupo elegeu seu primeiro comitê de serviços tendo como primeiro coordenador Abby G. e criado o precedente darotatividade no serviço– este precedente, mais tarde, se tornou um principio adotado pelas estruturas de A.A. ao redor do mundo para a escolha de seus representantes e servidores em todos os níveis. Em poucos meses de intensa divulgação, foi ultrapassado o número de 500 membros o que ensejou a abertura de outras salas e espaços maiores.

Os AAs de Cleveland, além da vasta experiência de acolhimento de grandes quantidades de pessoas interessadas na recuperação do alcoolismo, também deixaram como grande legado o primeiro"manual"de apadrinhamento. Veja em:

http://www.alcoolicosanonimos.org.br/comites/cahist/documentos-cahist/62-apadrinhamento-em-a-a-suas-obrigacoes-e-suas-responsabilidades

O segundo Grupo com o nome de Alcoólicos Anônimos, e também sem ligação com o Grupo de Oxford (aliás, àquela altura, o Grupo de Oxford já não tinha mais essa denominação e sim, a partir de1938e, até o ano2000, passou a se chamar"Movimento do Rearmamento Moral"), foi fundado poucos dias depois, em Nova Jersey.

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Junho de 1935 – A origem de Alcoólicos Anônimos

Bill W. e o Dr. Bob encontraram-se pela primeira vez no dia 12 de maio de1935, quando Bill W., tratou de procurar outro alcoólico para conversar e tratar de superar a tentação para beber por causa da solidão e do fracasso no negócio que foi realizar em Akron, Ohio,  enviado pela corretora onde trabalhava, em Nova York. O encontro aconteceu na casa de Henrietta Seiberling e durante o qual, Bill W., sóbrio havia cinco meses, explicou ao Dr. Bob - um bêbado inveterado já desistindo de procurar uma solução, a natureza exata da condição comum aos dois conforme oDr. William D. Silkworth –um médico de Nova York, lhe tinha descrito, ao dizer que se tratava de umadoençacaracterizada por umaobsessão mental seguida deuma alergia física.O Dr. Bob subitamente compreendeu o que lhe afligia; como médico, nunca tinha pensado nessa possibilidade. Passadas mais de cinco horas de compartilhamento e reciprocidade produziu-se a identificação necessária entre dois alcoólicos que, falando de si próprios, um para o outro, conseguem manter-se afastados da bebida, e desta constatação deriva toda a proposta de A.A. Após esse encontro, Bill W. ficou hospedado na casa do Dr. Bob em Akron, onde acompanhou os esforços do Dr. Bob para manter a sobriedade, até a sua volta para Nova York dois meses depois.

Algumas semanas depois daquela data, o Dr. Bobfoi participar da Convenção Médica Americana Anual em Atlantic City, Nova Jersey. Durante a viagem e na Convenção bebeu o tempo todo e, ao voltar para casa alguns dias depois, foi recolhido pela enfermeira do seu consultório e o marido dela na estação ferroviária de Akron totalmente bêbado; teve um apagamento que durou mais de 24 horas e levou três dias para curtir a ressaca. Logo após esse evento, o Dr. Bob tinha agendada uma operação cirúrgica no Hospital Municipal de Akron onde trabalhava na especialidade de proctologia; Bill observou que não teria condições de segurar o bisturi devido à tremedeira e ofereceu-lhe uma garrafa de cerveja. A operação foi bem sucedida e aquela cerveja foi a última bebida alcoólica que o Dr. Bob tomou pelo resto da sua vida. O Dr. Bob morreu sóbrio, em 16 de novembro de1950. Embora tenha havido outras datas importantes na historia de A. A. e a data específica tenha sido consensual, devido a este fato – o último gole do Dr. Bob - é de acordo geral que aIrmandade deAlcoólicos Anônimos começou lá, em Akron, no dia 10 de junho de 1935.

No dia seguinte, o Dr. Bob propôs a Bill trabalharem juntos ajudando outros alcoólicos. No dia 28 de junho abordaramBill D., advogado, internado por alcoolismo no City Hospital de Akron, pela sexta vez nos últimos quatro meses. Bill D. veio a ser o AA nº 3. Nunca mais voltou a beber e continuou a ser um membro ativo de A.A. até sua morte em1954.

O Anônimo Número 4 não demorou a aparecer. Foi no final de julho e seu nome eraErnie G.de apenas 30 anos de idade e"jovem demais"aos olhos de seus padrinhos. Ernie permaneceu sóbrio durante um ano e então deu uma derrapada que durou sete meses. Embora tivesse problemas com a bebida pelo resto da vida, sua sobriedade inicial desempenhou um papel importante naqueles tempos de pioneirismo.

O 5º AA foiPhil S.que ficou sóbrio em fins de agosto daquele ano, depois de ficar internado durante oito dias no City Hospital; duas semanas depois voltou a embriagar-se, foi preso e condenado a 30 dias de cadeia; foi libertado por intermediação de Bill D. após concordar em ficar sob vigilância do Dr. Bob.

Aos poucos se foram juntando outros alcoólicos, e começaram a se reunir todas as quartas-feiras à noite na casa deT. Henry e Clarace Williamsem Akron - onde também se reuniam os membros do Grupo de Oxford, formando, assim, oGrupo NúmeroUm de A.A.-embora à época, o nome Alcoólicos Anônimos ainda não tivesse sido escolhido, fato este, que somente viria acontecer em1939.

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Junho de 1941 – A Oração da Serenidade aportou em A.A.

Ao longo dos anos as verdadeiras origens da Oração da Serenidade tem sido um mistério tentador, enigmático, perturbador e fascinante para aqueles que tentam descobrir uma prova confiável e irrefutável de sua origem. A oração entrou, discretamente, na história de A.A., em junho de1941. Ela foi descoberta em uma página de obituários de uma edição do início de junho, do jornalNew York Herald Tribunee o texto dizia:"Mãe - que Deus me conceda a serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, coragem para mudar aquelas que posso e sabedoria para conhecer a diferença. Adeus".

Anos mais tarde, a primeira secretária não alcoólica de A.A., Ruth Hock, lembrou:"Jack C.apareceu um dia no escritório da Rua Versey, 30, Manhattan, para conversar um pouco e, enquanto estávamos falando me mostrou o obituário com a Oração da Serenidade. Fiquei tão impressionada com o texto quanto ele e lhe pedi para deixar o jornal comigo para copiá-lo e incluí-lo nas cartas que enviámos para grupos e solitários...".Outro membro,Horace C., teve a ideia de imprimi-la em cartões e ele cobriu as despesas com a primeira tiragem.

Todos os membros locais, incluindo Bill W., perceberam imediatamente a sua relevância. Bill disse em"A.A. Atinge a Maioridade"(pág.189/5/1 - Junaab, código 101)"Nunca tínhamos visto tanto de A.A. em tão poucas palavras".Em 2 de junho de1941, Ruth escreveu uma carta para Henry S., um membro de Washington, D.C. e gráfico de profissão, dizendo:"um dos companheiros daqui nos trouxe um recorte de um jornal local  e gostou tanto que me pediu para lhe perguntar quanto custaria para imprimi-lo em uma pequena cartolina, semelhante a um cartão de visita, para poder ser levado na carteira... aqui está o texto... agradeceria que você me respondesse o quanto antes possível".Henry, entusiasmado, respondeu imediatamente:"... os cartões estão a caminho; parabenize o companheiro que descobriu o texto no jornal.Não me lembro de ter visto qualquer frase com tanto impacto e, durante o dia mostrei-a aos AAs que passaram por aqui e todos me pediram cópias. Estou enviando 500 cartões, já que não me disseram quantos queriam. Se vocês quiserem mais, por favor, me avisem. Claro que não cobrarei nada por fazer uma coisa deste tipo".

Na página189/6/1 do libro"A.A. Atinge a Maioridade",Bill W. escreve:"Ninguém pode dizer com segurança quem primeiro escreveu a Oração da Serenidade... e Jack Alexander, que em certa ocasião pesquisou a respeito, atribuiu-a ao Rev. Reinhold Niebuhr, do Seminário Teológico União. De qualquer maneira, temos a oração que é repetida milhares de vezes diariamente. Consideramos que seu autor está entre nossos maiores benfeitores".

Na Irmandade de A.A., ao redor do mundo, a Oração da Serenidade tem sido um elemento chave. Seja qual for a sua origem, nenhuma outra citação ou conceito – ao mesmo tempo prático e espiritual, se apoderou da mente e do coração de todo membro de A.A. que empreendeu a viagem rumo à sobriedade e o renascimento, quanto a Oração da Serenidade.

 Para saber mais, acesse:http://www.alcoolicosanonimos.org.br/comites/cahist/documentos-cahist/115-a-origem-da-oracao-da-serenidade

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Junho de 1944 – A criação de"The AA Grapevine"

The AA Grapevineé uma das duas corporações operacionais da Junta de Serviços Geraisde A.A. (a outra é A.A.W.S.) na estrutura dos EUA/Canadá.  Atualmente tem sete diretores: dois Custódios de serviços gerais, dois Custódios regionais, um Custódio não alcoólico e o diretor-editor executivo, que também ocupa a função de presidente da corporação. A junta reúne-se trimestralmente para considerar assuntos tais como a circulação, as finanças e as operações editorias daGrapevinee"La Viña"– sua versão equivalente em español.

Publica a revista internacional de Alcoólicos AnônimosGrapevine(pronuncia-segreipvain) - algo como "A Videira", em formato impresso e de áudio junto com coleções de artigos da revistaGrapevineem forma de livros, CDs e no seu sítio naweb. Divulga a experiência, força e esperança dos membros de A.A., seus amigos e familiares levando sua mensagem a mais de 250.000 pessoas cada mês. A circulação média mensal da revista impressa gira em torno de cem mil exemplares.

AGrapevinefoi lançada por um grupo de seis membros voluntários em junho de1944como um boletim para os AAs da área metropolitana  de Nova York, mas Bill W. e a redação logo perceberam seu potencial para unificar os Grupos largamente dispersos e informar o público a respeito do novo programa."Que seus raios de esperança e experiencia iluminem sempre a corrente de nossa vida em A.A. e, também algum dia, todo canto escuro deste mundo alcoólico",escreveu Bill W. no primeiro número, que foi enviado a todos os Grupos dos EUA e Canadá e aos AAs que serviam às forças armadas durante a Segunda Guerra Mundial. Um ano e meio mais tarde, Bill W. escreveu aos Grupos perguntando-lhes se gostariam que a Grapevine fosse sua revista nacional. Queria que fosse publicada uma revista que"reflita, com toda exatidão que fosse possivel a voz de toda a Irmandade, e não as opiniões de nenhum indivíduo, grupo ou organização – nem sequer nosso Escritório Central ou da Fundação do Alcoólico, embora, é claro, deva estar minimamente vinculada à Fundação do Alcoólico para assegurar sua continuidade e integridade básica".Os Grupos adotaram a revista imediatamente e em1949era chamada"A revista mensal internacional de Alcoólicos Anônimos"e"Nossa reunião impressa".

Entre1944e1971, Bill W. publicou aproximadamente 150 artigos (uma coletânea desses artigos está recolhida no livro"A Linguagem do Coração" -Junaab, código104)e editoriais na Grapevine, incluindo duas séries de ensaios para apresentar as Tradições. Bill W. também se valeu daGrapevinepara apresentar à Irmandade a ideia da Conferência de Serviços Gerais e para colocar a prova sua proposta de mudar a proporção da Custódios alcoólicos e não alcoólicos na Junta de Serviços Gerais. Para Bill, a revista era o principal meio de comunicação com os Grupos e, em anos posteriores, seus artigos na Grapevine serviram para explicar e esclarecer muitos dos principios espirituais básicos de A.A.

A Grapevine, é a predecessora de todas as revistas de A.A. no mundo – incluindo a Revista Brasileira de Aloólicos Anônimos – a revistaVivência, foi criada por uma decissão da Junta de Custódios durante a 2ª Reunião de Serviço Nacional realizada em Baependi-MG, entre os dias 17 e 19 de agosto de1985.

Para conhecer a revista, visite:http://www.aagrapevine.org/

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Junho de 1947 – Publicação do atual Preâmbulo de A.A.

O conhecido"Preâmbulo de A.A."foi impresso pela primeira vez na edição de junho de1947, da revistaA.A. Grapevine.Foi escrito pelo editor de então, quem extraiu grande parte do material do Prefácio à primeira edição do livroAlcoólicos Anônimos(nosso Livro Azul).

Naqueles anos, a revistaGrapevinetinha começado a circular entre os não alcoólicos e o Preâmbulo foi destinado principalmente a expor a essas pessoas o que A.A. era e o que não era. Ainda é usado para fins de informação pública. Com o passar do tempo, começou a aparecer em todas as publicações aprovadas pela Conferência, e muitos Grupos de A.A. agora o usam para abrir as reuniões.

A versão original diferia em dois aspectos importantes da versão todos conhecemos agora:

1)Indicava que"o único requisito para ser membro é o desejosincerode parar de beber".
2)Incluía apenas a breve declaração"A.A. não cobra taxas nem honorários".

Com frequência surge a pergunta de porquê foi excluída a palavra"sincero". Na Conferência de Serviços Gerais de1958, um Delegado, referindo-se as palavras"desejo sincero de parar de beber",sugeriu que, como a palavra"sincero"não aparece na Terceira Tradição, ela deveria ser removida do Preâmbulo. Durante a discussão, a maioria dos membros da Conferência expressou a opinião de que, dada a maturidade alcançada por A.A., tornou-se impossível determinar o que constitui um desejosincerode parar de beber e algumas pessoas interessadas no programa também podem se sentir confundidas pela frase. Portanto, como parte da evolução de A.A., foi removida a palavra"sincero".Na reunião de verão de1958, a Junta de Serviços Gerais ratificou a exclusão, e desde então, o Preâmbulo indica apenas"o desejo de parar de beber".

Ao mesmo tempo, a frase"A.A. não cobra taxas nem honorários" foi modificada para o texto atual:"Para ser membro de A.A. não há taxas ou mensalidades; somos autossuficientes graças às nossas próprias contribuições".Esta versão atual do Preâmbulo aparece na primeira página de cada edição da revistaGrapevine.

Quando impresso, o Preâmbulo deverá incluir a seguinte indicação de procedência:

Direitos autorais da revista © The A.A. Grapevine, Inc. Reimpresso com permissão.

Preâmbulo de A.A.©

Alcoólicos Anônimos©é uma Irmandade mundial de homens e mulheres que compartilham entre si suas experiências, forças e esperanças a fim de resolver seu problema comum  e ajudar outros a se recuperarem do alcoolismo.

O único requisito para se tornar membro é o desejo de parar de beber. Para ser membro de A.A. não há taxas nem mensalidades; somos autossuficientes graças às nossas próprias contribuições.

A.A. não está ligada a nenhuma seita ou religião, nenhum movimento político, nenhuma organização ou instituição; não deseja entrar em qualquer controvérsia pública; não opina nem combate causa alguma.

Nosso propósito primordial é o de mantermo-nos sóbrios e ajudarmos outros alcoólicos a alcançarem a sobriedade.

Direitos autorais da revista © The A.A. Grapevine, Inc. Reimpresso com permissão.

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Junho de 1985 – A.A. entra na marcofilia

Em1983, o Clube Filatélico de Catolé do Rocha, Paraíba, encaminhou à Junaab sugestão no sentido daquela Junta pleitear e emissão de um selo comemorativo do cinquentenário de A.A. em1985. O pedido foi encaminhado à ECT – Empresa de Correios e Telégrafos, por intermédio da Assessoria Filatélica, órgão que, como o nome indica, assessora a direção daquela empresa nos assuntos específicos de filatelia. Os Ministérios da Previdência Social e da Saúde encamparam aquela solicitação. Em resposta, a ECT informou, em maio de1984, que, infelizmente, o Conselho Filatélico denegara o pedido em virtude de já haver programado o lançamento de uma série de selos postais alusivos a cidades históricas do Brasil, mas que essa decisão poderia ser revista na última reunião anual daquele órgão a realizar-se no mês de novembro.

Com efeito, na impossibilidade de atender por inteiro a pretensão de A.A. e dos Ministérios que endossaram aquela nossa solicitação, o Conselho Filatélico resolveu conceder um carimbo comemorativo.

O carimbo postal, assim como o selo, é de grande importância para colecionadores dentro da marcofilia. Assim, A.A., entra na marcofilia nacional. Exatamente na semana de 10 a 17 de junho de1985o carimbo foi lançado e utilizado em toda a correspondência saída de Brasília durante aquela semana.

Agradecendo à Empresa de Correios e Telégrafos a concessão do carimbo postal comemorativo do cinquentenário de A.A., o Dr. José Nicolielo Viotti, Presidente da Junta de Serviços Gerais, traduziu aquele gesto da ECT como sendo o abraço do Brasil ao Jubileu de Ouro de A.A. mundial Na verdade, ao que se saiba, apenas em nosso País, em todo o mundo, uma empresa de serviços públicos do porte da ECT, resolveu homenagear Alcoólicos Anônimos com a emissão de um carimbo postal, registrando, por essa forma, a passagem da efeméride no Brasil e, no exterior, pela repercussão que terá dentro do movimento conhecido como marcofilia, ou seja, entre os colecionadores.

A cerimónia de lançamento ocorreu em reunião pública realizada no auditório da TV-Rádio Nacional, em Brasília, à qual compareceram, além de grande número de companheiros, entre outras autoridades, o Diretor Regional da ECT e membros da Assessoria Filatélica; o Diretor da Divisão Nacional de Saúde Mental do Ministério da Saúde – DINSAN e o Secretário de Segurança e Medicina do Trabalho, do Ministério do Trabalho. Na ocasião, o Presidente da Junaab, após proferir seu discurso de agradecimento, convidou o Dr. Cláudio Macieira, Diretor do DINSAM, a por o carimbo na primeira das peças preparadas pela Assessoria Filatélica.

Importante:Este material foi recolhido das edições 33 e 35 do boletim BOB, publicadas em1985, onde também se encontra a reprodução gráfica do carimbo e estão disponíveis para consulta e investigação no acervo dos Arquivos Históricos.

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Julho de 1950 – A despedida do Dr. Bob.

Entre os dias 28 e 30 de julho de1950, foi celebrada em Cleveland, Ohio, a Primeira Convenção Internacional de Alcoólicos Anônimos. As principais motivações para a realização deste evento foram duas: a primeira, a aprovação das Doze Tradições de Alcoólicos Anônimos – o que foi feito por aclamação de mais de três mil membros da Irmandade presentes e, a segunda, a despedida do Dr. Bob que, já muito doente e se preparando para morrer, citou como um dos seus últimos desejos comparecer a esse evento onde fez uma breve palestra.

Dos presentes àquele momento histórico, alguns se lembravam de como as ondas de amor de A.A. pareciam levantar o Dr. Bob; outros se lembram de como se sustentava encostado, enquanto falava. A maioria das pessoas recorda seu conselho sobre a simplicidade. Entre as coisas que o Dr. Bob disse nenhuma delas precisa de interpretação:

"Meus bons amigos em A.A. e de A.A., acho que eu seria muito negligente se não aproveitasse esta oportunidade para dar a vocês as boas vindas a Cleveland, não apenas a esta reunião, mas àquelas que já ocorreram. Espero que a presença de tantas pessoas e as palavras que aqui ouviram possam ser uma inspiração para vocês – e não somente para vocês, mas que vocês possam partilhar essa inspiração com os garotos e garotas que não tiveram a sorte suficiente de estarem aqui. Em outras palavras, esperamos que a visita de vocês aqui tenha sido agradável e proveitosa.

Sinto uma grande vibração ao olhar este vasto mar de rostos, com a sensação de que, possivelmente, uma pequena coisa que fiz há alguns anos teve papel infinitamente pequeno para fazer com que fosse possível esta reunião. Também me bem um grande estremecimento quando penso que todos tivemos o mesmo problema. Todos fizemos as mesmas coisas. Todos conseguimos os mesmos resultados em proporção ao nosso zelo, entusiasmo e capacidade de aderir. Se vocês me perdoam a inclusão de uma nota pessoal neste momento, permitam-me dizer que tenho estado acamado por cinco dos últimos sete meses, e minhas forças não retornaram como eu gostaria, assim, por necessidade, minhas observações serão muito breves.

Há duas ou três coisas que irromperam em minha mente sobre as quais seria apropriado colocar um pouco de ênfase. Uma é a simplicidade de nosso programa. Não vamos estragar tudo com complexos freudianos e coisas que são de interesse da mente científica, mas tem muito pouco a ver com nosso verdadeiro trabalho de A.A. Nossos Doze Passos, quando resumidos ao máximo, podem ser condensados nas palavras'amor'e'serviço'. Entendemos o que é o amor e entendemos o que é o serviço. Então, vamos manter essas duas coisas em mente.

Vamos, também, lembrar de vigiar esse membro errante que é a língua, e se temos de usá-la, vamos usá-la com bondade, consideração e tolerância.

E mais uma coisa: Nenhum de nós estaria aqui hoje se alguém não tivesse usado seu tempo para explicar as coisas a nós, para nos dar uma palmadinha nas costas, para nos levar a uma reunião ou duas, para fazer em nosso benefício numerosas pequenas ações generosas e atenciosas. Por isso não permitam nunca que cheguemos a um grau de complacência tal que nos impeça de estarmos dispostos a estender, ou tentar estender a nossos irmãos menos afortunados, essa ajuda que tem sido tão benéfica para nós.Muito obrigado".

Para saber mais:leia esta passagem a partir da página 345 do livro"O Dr. Bob e os bons veteranos"– Junaab, código 116.

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Julho de 1955 - A.A. atinge a maioridade

Entre os dias 1 e 3 de julho de1955, foi celebrada a segunda Convenção Internacional de A.A. em St. Louis, Missouri. Alcoólicos Anônimos completava 20 anos de existência e com isso alcançava sua maioridade. Dos dois cofundadores, o Dr. Bob havia falecido cinco anos atrás, em1950, e antes de morrer tinha dado a Bill W. o seu consentimento para que fosse constituída uma Conferência composta por membros delegados pelos Grupos de A.A. para tomar conta da Irmandade em substituição aos cofundadores e membros pioneiros. A primeira Conferência foi instalada em1951e, depois de quatro Conferências experimentais, finalmente, na quinta Conferência de Serviços Gerais – realizada juntamente com a segunda Convenção, Bill W., falando em nome do Dr. Bob e dos membros mais antigos de todas as partes, declarou a Conferência como sucessora permanente dos fundadores de A.A. e lhe entregou a custódia das Doze Tradições de A.A. e a proteção dos serviços mundiais – isto foi feito através de"Um Acordo"(veja este"Acordo"adaptado à estrutura de A.A. no Brasil, na página 15 do"Manual de Serviço de A.A. e Os Doze Conceitos para Serviço Mundial" -Junaab, código108).  aprovada por todos os convencionais por aclamação e pela Conferência, por determinação formal, através de votação.

Nesse evento, Bill também entregou à Irmandade os Três Legados de Recuperação, Unidade e Serviço.

Pelo Primeiro Legado nos recuperamos do alcoolismo através da prática do programa de Doze Passos, conforme consta no livro"Alcoólicos Anônimos", publicado em1939(Junaab, código 102).

Pelo Segundo Legado permanecemos em unidade através das Doze Tradições de A.A., aprovadas na Convenção de Cleveland, em1950– estão publicadas no livro"Os Doze Passos e As Doze Tradições"(Junaab, código105).

Pelo Terceiro Legado nossa Irmandade funciona e serve seu propósito fundamental, que é o de levar a mensagem de A.A. Seus princípios tradicionais são:

a - Cada Grupo é animado por um único propósito primordial – o de transmitir sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre.
b - Todos os Grupos de A.A. deverão ser absolutamente autossuficientes.
c - Alcoólicos Anônimos deverá manter-se sempre não profissional.
d - Nossos líderes são apenas servidores de confiança – não governam.
e - Procuramos transmitir esta mensagem aos alcoólicos e praticar estes princípios em todas as nossas atividades.

Nota:Os tradicionais princípios de serviço de A.A. apresentados acima foram ampliados por Bill W. e fazem parte do"Manual de Serviço de A.A. e Os Doze Conceitos para Serviço Mundial".

Para saber mais:Veja estas passagens no livro"A.A. Atinge a Maioridade"(Junaab, código101). Publicado em1957, o livro relata em detalhes todos os acontecimentos ocorridos na Convenção de St. Louis e que foram determinantes para a Irmandade tal como hoje a conhecemos.

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Julho de 1965 – A Declaração de Responsabilidade de A.A.

Sob qualquer padrão de medida que se queira utilizar, Alcoólicos Anônimos tinha alcançado em1965um sucesso que parecia superior ao que pudessem ter imaginado seus dois cofundadores trinta anos antes. Com aproximadamente 350.000 membros no mundo todo, a Irmandade havia-se convertido numa instituição bem conhecida na América do Norte, e muitos profissionais que trabalhavam na área da recuperação acreditavam que A.A. era a mais clara e melhor solução para o tratamento do alcoolismo. Entre os dias 2 e 4 de julho de1965, aproximadamente 10.000 membros congregaram-se em Toronto, Canadá, para participar da IV Convenção Internacional de A.A. que resultou ser uma boa ocasião para alardear e se recrear nos logros de A.A.

Entretanto, a Convenção também se dedicou a fazer um destemido inventário e, especialmente, ao tema da responsabilidade. Bill W. introduziu oficialmente a Declaração de Responsabilidade, que diz:

"Eu sou Responsável... quando qualquer um, seja onde for, estender a mão pedindo ajuda, quero que a mão de A.A. esteja sempre ali. E por isto: eu sou responsável".

O autor dessa declaração foi Al S., que contou a historia de sua concepção na VI Convenção Internacional de Denver em1975;"buscava-se uma declaração (sobre a responsabilidade), que tivesse o efeito de captar emocionalmente os AAs sem impor nenhum dever",lembrou Al.Depois de varias tentativas, teve a ideia de que deveria ser uma decisão e uma responsabilidade pessoal –"Eu"no lugar de"nós".Dez mil membros de A.A. juntaram-se e, de mãos dadas fizeram pela primeira vez a declaração desse Termo na Convenção de Toronto, e desde então se tem distribuído por toda a Irmandade e se reimprime nos folhetos de A.A. e na Revista Grapevine.

Porque a essa declaração foi escrita e aceita naquele momento? Uma possível razão é que Bill W. e outras lideranças em A.A. haviam detectado alguns problemas que poderiam afetar a capacidade futura de A.A. ajudar os alcoólicos.

Em1963, uma revista nacional tinha publicado uma matéria de capa muito crítica em relação a A.A. a qual sugeria que a Irmandade já não dava tão bons resultados. Os profissionais no campo do alcoolismo, não alcoólicos, sentiam-se inquietos diante das atitudes e ações de alguns membros de A.A. – um deles inclusive iria falar na Convenção de Toronto. Alguns insinuaram que estava na hora de A.A."fazer seu inventário".

Bill W. considerou detidamente o tema num artigo intitulado"Nosso lema: a Responsabilidade",publicado no número de julho de1965na revista Grapevine (leia o artigo a partir da página 384 do livro"A Linguagem do Coração"– Junaab, código104). Também disse ser possível que estivéssemos alienando alguém devido à nossa arrogante convicção de sempre estar com a razão e nossa solução para o alcoolismo ser a única. Tínhamos que corrigir essas atitudes e esse comportamento para continuar a alcançar o alcoólico que estava sofrendo.

Bill W. disse:"Se fizer um inventário dos defeitos de A.A., podem estar seguros de que também estarei fazendo o meu próprio. Sei que meus erros de ontem ainda têm repercussões, e meus erros de  hoje podem igualmente afetar nosso futuro. Assim acontece com todos e cada um de nós.

Nossa próxima responsabilidade será a de apadrinhar, de maneira inteligente e carinhosa, cada homem e cada mulher que recorra a nós em busca de ajuda. O empenho e o amor com que nos dispormos a realizar essa tarefa, individual ou coletivamente, terão importância decisiva"

Veja mais em:http://www.aabrasil.org.br/origens/108-a-origem-do-termo-de-responsabilidade

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Julho de 1970 – A Declaração de Unidade de A.A.

Durante a Convenção Internacional de A.A., entre os dias 3 e 5 de julho de1970, em Miami Beach, Florida, cerca de onze mil membros de Alcoólicos Anônimos reunidos, fizeram a seguinte declaração em onze idiomas diferentes:

"Uma Declaração de Unidade:

O futuro de A.A. depende de ser colocado em primeiro lugar, o nosso bem-estar comum, a fim de manter a nossa Irmandade unida. Da unidade de A.A. dependem as nossas vidas e as vidas daqueles que virão".

A aceitação desta declaração na Convenção de1970selou a aprovação final à campanha iniciada por Bill W. algumas décadas atrás, para estabelecer como prioridade a preservação da unidade para assegurar o futuro de A.A. Vinte anos antes, na primeira Convenção Internacional de A.A., em Cleveland, mais de três milhares de membros de A.A. votaram pela aceitação das Doze Tradições que Bill W. havia redigido e proposto com o propósito específico de assegurar a sobrevivência de A.A. como sociedade. A aceitação oficial da Declaração de Unidade serviu para reforçar isso.

Por que foi necessário fazer essa declaração? Quase desde os primórdios de A.A., Bill W. havia colocado como foco a importância de manter a unidade da Irmandade. Trabalhando juntos poderemos alcançar e manter a sobriedade que não pudemos encontrar quando estávamos sozinhos. Mesmo quando A.A. não tinha mais de cem membros, em sua maioria concentrados em Akron e Nova York, Bill W. e o Dr. Bob tinham a visão de uma Irmandade unificada que poderia alcançar os alcoólicos em todas as partes da América do Norte e inclusive do mundo. Bill W., nas suas palestras e artigos, sempre destacou a necessidade de preservar a unidade para que nós mesmos pudéssemos manter a sobriedade e preservar A.A. para"os milhões que ainda não nos conhecem".

Ao apresentar as Tradições, Bill escreveu:"Enquanto os vínculos que nos unem demonstrem ser mais fortes que as forças que pudessem nos dividir, tudo irá bem...estaremos seguros como movimento; nossa unidade essencial continuará a ser algo seguro".

Quais eram as forças que poderiam nos dividir? Ele mencionava com frequência a luta pela propriedade, o poder e o dinheiro. Sentia ser absolutamente necessário que A.A., como sociedade, teria que evitar as controvérsias sobre a política e a religião. Também acreditava que o anonimato era um fator decisivo para manter a unidade e que a ajuda de A.A. deveria estar disponível para todos sem favoritismos nem prejuízos.

Bill descreveu as Doze Tradições como sendo"Doze pontos para assegurar o nosso futuro".Ele as considerava tão essenciais para a preservação da sociedade quanto os Doze Passos para a recuperação do membro individual. Escreveu que o mais urgente e estimulante interesse de A.A. era"preservar entre nós, os AAs, uma unidade tão sólida que nem as debilidades pessoais nem a pressão e discórdia desta época turbulenta possam prejudicar nossa causa comum. Sabemos que Alcoólicos Anônimos tem que sobreviver. Se assim não for, exceto contadas exceções, nós e nossos companheiros alcoólicos em todas as partes do mundo recomeçaríamos nossa desesperada viagem rumo ao esquecimento".

Para saber mais:http://www.aabrasil.org.br/origens/116-a-origem-da-declaracao-de-unidade

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Agosto de 1934 - O resgate do"mensageiro",Ebby T.

No começo de1934ingressou noGrupo de Oxfordde Nova YorkRowland Hazard III (Roy) (1881-1945),membro de uma dinastia de magnatas da Ilha de Rhodes (EUA). Após varias internações por alcoolismo, em1931, foi levado pela família a procurar ajuda para seu problema em Zürich com o psiquiatra suíçoCarl Gustav Jung (1875-1961) -um dos pais dapsicologia analítica(psicanálise) com quem Bill W., mais tarde, trocou correspondência.

Após algum tempo de terapia, o resultado foi desanimador e o Dr. Jung teria sugerido que "somente uma profunda transformação através de uma conversão espiritual, seria capaz de remover sua esmagadora compulsão pela bebida".

De volta à América, Rowland ficou internado entre fevereiro e março de1932. Ao sair da internação foi procurar o terapeuta leigoCourtenay Baylor (1870-1945),um dos líderes doMovimento Emmanuelque o ajudou a se manter sóbrio. Baylor também compartilhava a ideia do Dr. Jung a respeito da necessidade da conversão espiritual, e indicou-lhe o Grupo de Oxford de Nova York, onde, após sua"conversão"a Deus através do ministro da igreja episcopalSamuel (Sam) Shoemaker (1893-1963), a principal liderança do Grupo de Oxford nos EUA, ingressou no Grupo e passou a fazer parte de uma equipe de abordagem. Nessa condição, acompanhado deFrancis Shepard(Shep) Cornell (1899-1985)eCebra Q. Graves(1898-1979)viajouem agosto desse ano à cidade de Bennington, Vermont - onde Rowland tinha uma casa de veraneio e o pai de Cebra,Collins Millard Graves (1871-1954),era o juiz local. O objetivo da viagem era abordarEdwin (Ebby) T. Thacher(1896-1966)– antigo companheiro de escola e farras de Bill W.

Ebby tinha sido preso e iria a julgamento por dirigir embriagado e ter provocado um grave acidente destruindo parte de uma residência e o novo automóvel"Packard"de seu pai. Devido às reincidências a Promotoria estava pedindo sua internação noAsilo Brattleboro, uma instituição para doentes mentais; porém, os três oxfordianos persuadiram o Tribunal, conseguiram a custódia de Ebby e levaram-no para Nova York. Algum tempo depois Ebby, por intermédio de Sam Shoemaker e apadrinhado por Rowland, confessou seu alcoolismo e entregou sua vida a Deus na Igreja do Calvário da qual Sam era o Reitor – este era o procedimento da"rendição"e da"conversão".Ficou sóbrio e decidiu ajudar seu amigoBill Wilson. Assim, numa sombria manhã de novembro de1934, quando o telefone na casa de Bill W. tocou e ele atendeu, ouviu a voz familiar de Ebby T. Ebby estava em Nova York. Contou que ouvira falar da dificuldade de Bill e perguntou se podia ir ao Brooklyn para vê-lo.

Duas noites mais tarde, Ebby e Bill estavam sentados à mesa da cozinha da casa nº 182 da Rua Clinton, no Brooklyn. Havia uma garrafa de gim e uma jarra de suco de abacaxi sobre a mesa, mas apenas Bill bebia. Entre incrédulo e estupefato, ouviu Ebby recusar a bebida e dizer que agora tinha religião e estava sóbrio há alguns meses seguindo alguns preceitos básicos:admitir a derrota perante o álcool, se tornar honesto consigo mesmo, confessar seus defeitos a outra pessoa, fazer reparações dos danos causados, ajudar os outros desinteressadamente e rezar a Deus na forma em que o concebia. Ebby não tentou pressionar nem evangelizar.

Bill W. iria obter um retorno definitivo desse encontro durante a sua última internação no mês seguinte quando passou por uma experiência espiritual. Havia acabado de completar 39 anos de idade um mês antes de sair do hospital, e ainda tinha metade da vida pela frente. Sempre afirmou que, depois daquela experiência, nunca mais duvidara da existência de Deus. Nunca mais tomou qualquer bebida alcoólica.

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Agosto de 1985 – Proposta de criação da Revista Brasileira de A.A. (Vivência)

A Comissão de Literatura e Publicações da 1ª Conferência de Serviços Gerais realizada em Recife (PE) em1977apresentou, e o plenário aprovou, a proposta nº 8, que diz: "Consideramos oportuno  que Alcoólicos Anônimos no Brasil possua a sua Revista, a exemplo de"Grapevine"e"El Mensaje".Para concretizar este objetivo, recomendou-se aos Delegados do RJ que elaborassem  um projeto, com análise de custos e possibilidade de implantação de uma nova entidade de A.A. no Brasil, para ser debatida na próxima Conferência de Serviços Gerais".

Na 8ª CSG, realizada em Blumenau (SC) em1984, a mesma Comissão reiterou e o plenário aprovou por unanimidade a proposta nº 2, que:"Reitera a criação, urgente, da Revista Brasileira de Alcoólicos Anônimos, no sentido de canalizar proveitosamente a criatividade dos AAs.Aprovada por unanimidade".

Assim, a Junta de Custódios,durante a 2ª Reunião de Serviço Nacional realizada em Baependi (MG) entre os dias 17 e 19 de agosto de1985, achou por bem prover a Irmandade de um veículo de informação à altura dos nossos anseios, que pudesse consolidar nossa mensagem de esperança junto aos seus membros e transpor horizontes, apresentando, de maneira sóbria e consistente, a Irmandade a profissionais liberais, religiosos, mestres da educação, empresários e tantas outras pessoas de boa vontade. Por sugestão dos Comitês, inclusive os recém-oficializados Comitês de Finanças e de Literatura e também para comemorar o Cinquentenário Mundial da Irmandade naquele ano, elegeu-se então uma diretoria e foi autorizada a edição experimental daRevista Brasileira de Alcoólicos Anônimos.

O número"Zero",marco inicial da revista, foi publicado em novembro do mesmo ano, em Campo Grande (MS), por ocasião do Seminário da Região Centro-Oeste.A partir do nº 2, a revista passou a ser editada e produzida em Brasília (DF), onde ficou aproximadamente durante dois anos eadquiriu um formato bem menor, quase de bolso,ganhando o nome deVivência, escolhido entre diversos outros sugeridos, além de instituir-se a assinatura anual. Após esse período, no qual a revista crescia, sua produção passou a ser feita emFortaleza (CE), onde foi editada, produzida e distribuída com sucesso até1993,quando, incorporando de algum modo nossas diversidades culturais locais, foi definitivamente transferidapara a sede da Junaab em São Paulo (SP).

A partir da 1ª edição do ano de1994, aVivênciapassou a ser publicada a cada dois meses. A"assinatura cortesia"foi apresentada pela primeira vez no Editorial da Revista nº 33, que também trazia um cupom de"cortesia"impresso em suas páginas. Até a revisão do Manual de Serviços ocorrida em1995, quando foram reformulados os Estatutos da Junaab, a Vivência manteve-se como empresa separada, com Diretoria própria, assim como ocorria com o extinto CLAAB. Após essa revisão estatutária, os três órgãos de serviços da Junaab fundiram-se numa única empresa e a revista passou a ser responsabilidade de um novo Comitê da Junta — o Comitê de Publicações Periódicas (CPP) — responsável também pela publicação dos boletins"BOB Mural"e"JUNAAB Informa".

Atualmente (2016) mantém periodicidade bimestral e sua tiragem média é de 10.000exemplares.Diversos membros de A.A. — companheiras e companheiros voluntários — têm estado à frente da produção daVivência,sempre emprestando a ela seu carinho e sua competência profissional, buscando dar um passo à frente a cada edição, de forma a apresentar harmonia e qualidade editorial condizente com consistência da mensagem que se propõe a levar.

CAHist – Comitê de Arquivos Históricos da Junaab
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Agosto de 1985 – Proposta de criação dos Comitês de Assessoramento da Junaab

A criação destes Comitês foi proposta na primeira reunião de serviços da Junta de Custódios ocorrida emBaependi-MGentre os dias 17 e 19 de agosto de1985e formalizados e aprovados em1986na 10ª Conferência, emJoão Pessoa-PB,  como parte integrante da estrutura de A.A. no Brasil.

Esses Comitês são:

1.-     CAC– Comitê de Assuntos da Conferência
2.-     COF– Comitê de Finanças
3.-     CCP– Comitê de Cooperação com a Comunidade Profissional
4.-     COI– Comitê de Instituições
5.-     CIP– Comitê de Informações e Relações Públicas
6.-     COL– Comitê de Literatura
7.-     COA– Comitê de Arquivos

Os seis primeiros trabalharão em conjunto e em harmonia com as Comissões da Conferência. O último, de Arquivos, trabalhará mais diretamente com o ESG na preservação da memória de A.A., me­diante a coleta e seleção de todo e qualquer material ou documento que possibilite o registro histórico da Irmandade no Brasil.

Para efeito de centralização de suas atividades, a ideia inicial é que esses Comitês sejam coordenados por um ou mais Custódios de cada área específica e que eles, juntamente com as Comissões Permanentes da Conferência, estabeleçam orientação, e eventual­mente meios e recursos aos Comitês iguais ou cor­respondentes a nível estadual e local. Para isso pode ser editada literatura orientadora, tipo Guias de A.A.adaptada às nossas necessidades.

Atualmente (2016), de acordo com o Manual de Serviço de A.A. (Junaab, código 108), estes Comitês são os seguintes:

1.-     CTO- Comitê Trabalhando com os Outros
2.-     CF- Comitê de Finanças
3.-     CL- Comitê de Literatura
4.-     CAC- Comitê de Assuntos da Conferência
5.-     CPP- Comitê de Publicações Periódicas
6.-     CAHist– Comitê de Arquivos Históricos
7.-     CATI- Comitê de Assuntos da Tecnologia da Informação
8.-     CI- Comitê Internacional
9.-     CMS- Comitê do Manual de Serviço
10.-CN- Comitê de Nomeações
11.-CEC- Comitê Especial da Convenção

O Comitê Executivo (CE) é composto pelos membros da Diretoria Executiva, Coordenadores de Comitês e Gerente Administrativo.

Em se tratando de órgãos de assessoramento, cada Comitê deve ser formado, de preferência, por companheiros com conhecimento profissional nas áreas de atuação respectiva.

A preferência por esses companheiros profissionais não exclui, todavia, a participação de outros companheiros com reconhecida capacidade e disponibilidade para atuar de forma efetiva e proveitosa.

Os Coordenadores dos Comitês de Assessoramento são de livre escolha da Junta de Custódios, não dependendo de consulta a outros órgãos, cabendo unicamente a ela estabelecer os critérios, o tempo de mandato e a oportunidade dessa escolha.

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Agosto de 2015 – Nova sede do ESG/Junaab

Em 17 de agosto de2015, o Escritório de Serviços Gerais (ESG) – nome figurativo do escritório sede da Junta de Serviços Gerais de A.A. no Brasil (Junaab) e da sua Diretoria Executiva, findo o seu contrato com a administração do condomínio onde ficou por 22 anos, naAv. Senador Queiroz nº 101, 2º andar, Centro, São Paulo-SP,transferiu suas atividades para um novo local que proporcionasse o espaço e conforto necessários para a execução eficiente dos serviços que o crescimento da Irmandade no Brasil passou a demandar. O local, um prédio de três andares, está situado na RuaPadre Antonio de Sá, 116, em um dos mais tradicionais bairros e também um dos que mais se desenvolvem, o bairro do Tatuapé, na Zona Leste da cidade de São Paulo.A recepção e um mezanino usado como área restrita para guarda de documentos ficam no térreo; a administração, estoque e distribuição de literatura ficam no 1º andar; a Diretoria Executiva, os Comitês de Assessoramento da Junta, os Arquivos Históricos e o estoque suplementar de literatura ficam no 2º andar; no 3º andar fica a copa-cozinha e uma ampla sala onde se reúne mensalmente o Comitê Executivo e trimestralmente a Junta de Serviços Gerais, além de ser o ambiente de acolhimento das caravanas e grupos que nos visitam.

O primeiro aniversário da nova sede da Junaab certamente pode ser um motivo de muita alegria e ao mesmo tempo de reflexão para todos os companheiros, principalmente aqueles que moram na cidade de São Paulo e que puderam constatar o processo de desocupação do antigo imóvel que se encerrou no início desse ano e não havendo mais nenhum condômino naquele local.  É por tudo isso que agradecemos o Poder Superior que nos momentos mais difíceis iluminou o caminho de todos os companheiros que participaram desse processo de mudança que oferece condições para que nossa Irmandade possa continuar crescendo sem percalços.

A três quadras do local fica a Estação Tatuapé de transportes urbanos: trem e metrô e ônibus. Qualquer membro ou amigo de A.A. pode fazer uma visita ao ESG em dias úteis durante o seu expediente para tomar um café e conhecer seus funcionários, departamentos e instalações, além de poder fazer pessoalmente sua subscrição à revista Vivência. Visitas em grupo, de Grupos, Distritos e Áreas de todo o Brasil ou do exterior, podem ser agendadas através de correio postal, eletrônico ou por telefone. Veja estes dados em aa@alcoolicosanonimos.org.br

Desde a criação dos Serviços Gerais de A.A. no Brasil em1969, o ESG e o CLAAB - Centro de Distribuição de Literatura de A.A. no Brasil (o CLAAB foi o primeiro órgão de serviço de A.A. no Brasil. Em1995, a 19ª CSG aprovou a reestruturação da Junaab, a qual incluiu a extinção do CLAAB, sendo seus bens incorporados à Junta.), passaram pelos seguintes endereços:

1.-     Em setembro de1969,Rua Sampaio Vidal, 481, Jardim Paulistano, São Paulo-SP.
2.-     Em abril de1970, Rua João Adolfo, 118, cj. 1214, Centro, São Paulo-SP.
3.-     Em novembro de1974, o CLAAB foi para a Rua Aurora, 291, 6º andar, Santa Ifigênia, São Paulo-SP.
4.-     O ESG foi para a Avenida Nove de Julho, 4º andar, Centro, São Paulo-SP.
5.-     Em1979, voltaram a se juntar na Rua Alagoas, 124, Higienópolis, São Paulo-SP.
6.-     Em1981, Rua Itaipu, 31, Praça da Árvore, Vila Mirandópolis, São Paulo-SP.
7.-     Em1987, Rua José Getúlio, 447, Liberdade, São Paulo-SP.
8.-     Em1991, Rua Capitão Salomão, 40, 3º andar, Centro, São Paulo-SP.
9.-     Em1993, Av. Senador Queiroz nº 101, 2º andar, Centro, São Paulo-SP.
10.-Em agosto de2015, Rua Padre Antonio de Sá, 116, Tatuapé, São Paulo-SP.

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Setembro de 1937: Florence R. – a primeira mulher em A.A.

Florence R. juntou-se às reuniões celebradas pelos pioneiros de A.A., então todos homens  brancos,  na casa de Bill W e Lois, no Brooklin, Nova York, em 13 de setembro de1937, na mesma época em que o Dr. Bob e Bill contabilizavam 40 membros repartidos entre Akron e Nova York e aventavam a possibilidade de escrever um livro sobre o programa e as experiências que os levaram a conseguir a sobriedade. O livro -"Alcoólicos Anônimos", começou a ser escrito em maio de1938e foi publicado em abril de1939. Embora a participação de mulheres e outras minorias no movimento não fosse bem aceita no início, como descreve o Capítulo XIX do livro"Dr. Bob e os Bons Veteranos"– Junaab, código116, a presença de Florence e sua conquista da sobriedade fez com que na definição da futura Irmandade feita no Prefácio da primeira edição constasse:"Nós, de Alcoólicos Anônimos, somos mais de cem homens e mulheres que nos recuperamos de uma aparentemente irremediável condição mental e física...".Esta definição e o artigo que Florence escreveu para aquela edição do livro–"Uma Vitória Feminina"(1)tornou a Irmandade universal e, embora a aceitação da diversidade não tenha sido fácil nos primeiros tempos, a inclusão de qualquer pessoa alcoólica de qualquer condição tem sido o padrão da Irmandade. Mesmo assim, foi necessária a criação de alguns Grupos de interesses específicos para que, realmente, qualquer pessoa, mesmo, pudesse participar das reuniões sem ser importunada pelas diferenças minoritárias.

Assim, em junho de1941,foi formado em Cleveland o primeiro Grupo conhecido de mulheres em A.A.. Mulheres em Nova Iorque, Minneapolis, Salt Lake City e San Diego seguiram seu exemplo. Nessa época, a proporção de gênero entre os membros era de seis homens e uma mulher. Atualmente, conforme a última pesquisa regular sobre os membros realizada em2014na estrutura EUA/Canadá, a proporção é 62% homens e 38% mulheres(2).Estes Grupos de mulheres abriram caminho para outros Grupos de interesses específicos, como os de jovens, idosos, homossexuais, médicos, advogados e outros profissionais(3).A existência destes Grupos Especiais, desde que não excluam outros alcoólicos, foi reconhecida pela Conferência de1977, como sendo Grupos de A.A. abrigados pela Terceira Tradição, longe da discussão, portanto, de qualquer proposta excludente em uma Conferência, enquanto a integridade daquele texto persistir e recomenda a sua inclusão nas listas regulares de reuniões e eventos de A.A.(4).

Em 14 de fevereiro de1964, foi organizada em Kansas City a Primeira Conferência Nacional da Mulher em A.A.e a sua aceitação foi tão positiva que se transformou em permanência anual e posteriormente em Internacional(5).A data para sua celebração anual foi fixada no fim da semana que tem o dia 14 de fevereiro porque esse o dia de São Valentim, dia dos namorados em vários países do hemisfério Norte, além de ser uma pausa bem-vinda na depressão de inverno. O emblema desta Conferência é um coração e seu lema permanente,"Aqui se Fala a Linguagem do Coração".Nessa sequência, entre os dias 11 e 14 de fevereiro de2016foi celebrada a52ª Conferencia Internacional de Mulheres,em Norfolk, Virgínia(6).

(1)  http://silkworth.net/bbstories/217.html
(2)  http://www.aa.org/assets/es_ES/sp-48_membershipsurvey.pdf
(3)  http://www.aa.org/pages/es_ES/aa-timeline#
(4)  http://www.alcoolicosanonimos.org.br/grupos-especializados-minorias/80-o-que-sao-os-grupos-especiais-de-a-a-porque-sao-necessarios
(5)  http://www.internationalwomensconference.org/
(6)  http://www.aagrapevine.org/event/37809

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Setembro de 1942: Primeiro Grupo de A.A. em presídios nos EUA.

San Quentin, São Francisco-CA

O primeiro Grupo de A.A. em presídios foi formado em setembro de1942no Presídio de San Quentin pelo Grupo de Alcoólicos Anônimos de São Francisco, na Califórnia. O esclarecido e liberal diretor do presídio, Clinton T. Duffy, foi de grande ajuda, auxiliando a montar o Grupo. Um punhado de reclusos de San Quentin, após lerem oLivro Azul, dirigiram-se à diretoria da prisão para comunicar que tinham entendido que eram alcoólicos e queriam fazer algo a respeito para prevenir futuros desastres após sua libertação. Apesar do ridículo de serem chamados de bebuns por seus companheiros internos e dos desafios zombeteiros dos céticos, este núcleo conseguiu o apoio dos diretores Joseph H. Fletcher e Clinton T. Duffy e, com uma pequena verba que a diretoria da instituição destinava à compra de livros e folhetos, o Grupo começou a funcionar.

Inicialmente, o Grupo do Presídio de San Quentin foi imerso em ceticismo, tanto por parte dos guardas como por outros prisioneiros, até a ocorrência de um incidente dramático. Um interno que fabricava bebidas alcoólicas dentro da prisão, por uma surpreendente ingenuidade, fez um lote de bebida utilizando materiais do armazém de pinturas, material este que mostrou ser mortalmente venenoso. Depois de beber a substância, vários internos passaram mal e em questão de horas começaram a morrer. Somente rápidas transfusões de sangue poderiam salvar os ainda vivos, e os membros do Grupo de A.A. de San Quentin se adiantaram para doar sangue o que salvou muitos dos presos envenenados. Até aquele momento A.A. não era conhecida fora do próprio ambiente de reuniões na instituição, então, alguns dos sobreviventes se juntaram e as barreiras se romperam. Logo em seguida outros Grupos se formaram e passaram a funcionar em presídios de Indiana e Illinois State e a mensagem rapidamente se espalhou pelos EUA e Canadá.

Saiba mais,lendo a partir da página 78 do livro"A.A. Atinge a Maioridade",Junaab, código 101.

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Setembro de 1988: Primeiro Grupo de A.A. na Casa de Detenção de São Paulo. Carandiru, São Paulo-SP

Em fevereiro de1988foi feita uma reunião entre o Capelão da Casa de Detenção e o coordenador da Comissão de Instituições do Comitê do 12º Passo do então Setor 3 da Zona Norte da cidade de São Paulo-SP. Desta reunião resultou uma visita de CCP da antiga CENSAA-SP ao diretor da Casa de Detenção, Dr. José Ismael Pedrosa. Este entendeu que A.A. poderia ser útil para os reeducandos oferecendo uma programação da qual os reclusos alcoólicos e não alcoólicos se poderiam beneficiar. Entretanto, a Comissão deveria levar uma carta e conversar com o Juiz Corregedor dos Presídios.

O Dr. Pedrosa pediu ao Capelão que levasse os três AAs que compareceram a conhecer o Centro de Detenção e ver o pavilhão onde seriam realizadas as reuniões. Impressionados, aqueles AAs nunca tinham entrado em um presídio daquele tamanho e viam-se agora no interior do maior presídio da América Latina, com ruas, campos de futebol e futsal, uma cozinha com panelas de dois metros de diâmetro, sete pavilhões e mais de 7.200 reclusos. Fantástico - o tamanho do complexo e o carinho com que os AAs foram recebidos. Ali, a mente desses companheiros se abriu ainda mais e perceberam como"Deus se utiliza de meios misteriosos para cumprir Suas maravilhas".Após essa visita começou a ser elaborado um cadastro para ir aos presídios. Com muita dificuldade, depois de três meses havia uma lista com nove voluntários. Em setembro daquele ano –1988, o Dr. Pedrosa entrou em contato e comunicou que A.A. havia recebido autorização para iniciar reuniões na Casa. A primeira reunião foi realizada no Pavilhão 7, no dia 21 de setembro de1988, à qual compareceram quatro companheiros,"vestindo paletó, calça que não fosse da cor bege e portando RG".

Fonte:CIC Área32.

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Setembro de 1947: Início das atividades de A.A. no Brasil

Em1946, chegou ao Rio de Janeiro,então Capital da República,o publicitário americanoHerberthL. D. (Herb),com um contrato de três anos de duração para trabalhar como diretor artístico de uma empresa multinacional do ramo de publicidade. Alcoólico, tinha ingressado num Grupo de A.A. em Chicago (EUA) em1943. Antes de viajar para o Brasil esteve na Fundação do Alcoólico em Nova York, para se informar se poderia encontrar algum membro de A.A. por aqui. Deram-lhe o nome de Lynn Goodale, a quem Bob Valentine – um amigo de Bill W., teria abordado numa passagem pelo Rio em1945e alcançado a sobriedade. Não encontrando Lynn, comunicou à Fundação, pediu outros nomes e colocou-se à disposição para servir como contato no País.

Em julho de1947, recebeu o endereço de outro AA, e alguns libretos e folhetos em espanhol. Numa carta recebida em outubro, a Fundação"manifesta sua felicidade pelo início de um Grupo de A.A. no Brasil". Não se sabe exatamente como este Grupo teria sido formado. Mas, a ata de uma reunião do Grupo Rio de Janeiro celebrada em 29 de agosto de1950, registra o seguinte texto:"Data – aniversário" – "Na reunião de hoje deliberamos comemorar o 3º (terceiro) aniversário da fundação doGr. "A.A. do Rio de Janeiro"no dia 5 (cinco) próximo. A referida data ficará, por tradição, como a data oficial da fundação do Grupo.

Rio de Janeiro, 29 de agosto de1950.

Fernando, secretário".

Em função deste documento e de outros apresentados pela Área do Rio de Janeiro à Junaab, na reunião de serviço celebrada entre os dias 12 e 14 de setembro de1986, em Baependi-MG, a Junta concluiu e decidiu que"a data de 5 de setembro de1947, deve ser considerada como a data oficial do início das atividades de A.A. no Brasil".(Fonte: página 9 do Boletim BOB Nº 41 – Nov./Dez.1986).

A partir da cidade do Rio de Janeiro, Alcoólicos Anônimos foi se expandindo para outras cidades e atualmente está presente no Distrito Federal e em todos os Estados da Federação. A seguir, a ordem cronológica da chegada de A.A. à primeira cidade de cada Estado, baseada em dados fornecidos pelas Áreas ao antigo CISM – Comitê de Imagem, Som e Memória, e sujeitos a atualização, documentada ou consensual, pelas próprias Áreas:

1947 /Set.Rio de Janeiro, RJ.
1953/ Nov. – Salvador, BA.
1957/ Jan. – São Luis, MA.
1958/ Ago. –Maceió, AL
1961/ Jun. – Juiz de Fora, MG.
1964/ Ago. – Recife, PE.
1964/ Ago. – Campina Grande, PB.
1965/ Abr. – São Paulo, SP.
1967/ Set. - Goiânia, GO.
1967/ Set. – Blumenau, SC.
1968/ Jun. – Fortaleza, CE.
1968/ Set. – Curitiba, PR.
1969/ Mai. – Brasília, DF
1970/ Out. – Porto Alegre, RS.
1971/ Abr. – Manaus, AM.
1971/ Jun. – Belém, PA.
1972/ Jun. – Linhares, ES.
1972 /Ago. – Campo Grande, MS.
1973/ Ago. – Cuiabá, MT.
1974/ Abr. – Aracajú, SE.
1975/ Jul. – Caicó, RN.
1976/ Mar. – Teresina, PI.
1977/ Ago. – Boa Vista, RR.
1979/ Jul. – Macapá, AP.
1979/ Nov. – Porto Velho, RO.
1980/ Fev. – Rio Branco, AC.
1984/ Mar. – Araguaína, TO.        

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Setembro de 1969: A criação do CLAAB

Embora a Irmandade de Alcoólicos Anônimos tenha se instalado no Brasil formalmente com o registro consensual do primeiro Grupo de A.A., oGrupo Rio de Janeiro, na cidade do Rio de Janeiro – à época Capital da República, em 05 de setembro de1947, a estrutura formal nos moldes da Estrutura Mundial de A.A., somente teve início em1969com a concessão da autorização para a tradução, publicação e distribuição do livroAlcoólicos Anônimose a criação de um órgão de serviço nos moldes da estrutura orientada pelos Serviços Mundiais de A.A.–A.A.W.S.Este órgão de serviço recebeu o nome deCentro de Distribuição de Literatura de A.A. para o BrasilCLAAB, e foi criado em 20 de setembro de1969, em São Paulo, como uma Sociedade Civil de natureza literária.

Em 29 de fevereiro de1976, durante oTerceiro Conclave Nacional, em São Paulo, reuniram-se os membros do Conselho Diretor do CLAAB e mais 29 Delegados representando 16 Estados e criaram aJunta Nacional de Alcoólicos Anônimos do Brasil(atual Junta de Serviços Gerais de A.A. no Brasil)–Junaab.

A Junaab é uma Sociedade Civilsemfins lucrativos, cujo propósito primordial é o de promover a unidade e a continuidade da Irmandade de Alcoólicos Anônimos no Brasil, sendo apenas um órgão de Prestação de Serviços, e seu Estatuto dispunha que seus órgãos seriam: 1) – umaAssembleia Geral, composta pelos Delegados Estaduais, denominados"Membros da Junta"(em 1977,Conferência de Serviços Gerais – CSG); 2) - umaDiretoriaescolhida pela Assembleia Geraldentre os Delegados Estaduais e, 3) oCLAAB,comoórgãoexecutor dos Serviços Gerais de A.A. no plano nacional, funcionando como Escritório de Serviços Gerais - ESG e como órgão executivo da Junaab no Brasil, da qual é subordinado. Ao CLAAB compete:

e)   Publicar e distribuir em todo o terri­tório nacional, devidamente traduzida para o português, a literatura aprovada pela CSG conforme au­torização de"Alcoholics Anonymous World Ser­vices, Inc. (AAWS)",proprietária dos direitos autorais;

f)   Resguardar os direitos autorais de AAWS em todo o território nacional;

g)  Promover quaisquer atividades que te­nham por objetivo a unidade e a continuidade da Irmandade de A.A. no Brasil;

h)  Promover, enfim, a mais ampla divulgação do programa de A.A. para a recuperação de alcoólicos, estabelecendo e mantendo sólidas atividades de relações públicas no trato com a imprensa escrita, falada e televisada e outros meios de comunicação, bem como com as autoridades constituídas e qualquer órgão interessado no problema do alcoolismo, sem, todavia, se filiar a nenhum deles.

No final de março de1980,a Comissão de Política e Admissões da4ª CSGrealizada em Porto Alegre, recomendou o desmembramento Administrativo, Físico e Financeiro do CLAAB/ESG, ficando o CLAAB apenas como distribuidor de literatura de A.A. para o Brasil, enquanto o ESG assumiu, de fato, os Serviços Gerais (Executivo) de A.A. em nível nacional.

Em1995, a19ª CSG, realizada em Santos-SP entre os dias 12 e 16 de abril, aprovou a reestruturação da Junaab, a qual incluiu a extinção do CLAAB (a baixa definitiva na Receita Federal, se deu apenas em 15/02/2015) sendo seus bens incorporados à Junta. O ESG e o Comitê de Literatura, que teve suas funções ampliadas, passaram a cuidar da revisão e edição de nossos livros. Posteriormente seria criado o atualCPP -Comitê de Publicações Periódicas –um Comitê de Assessoramento da Junaab para a função editorial da revistaVivênciae dos boletins informativosJunaab InformaeBOB Mural.

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Outubro de 1951 – Alcoólicos Anônimos recebe o Prêmio Lasker

image001"American Public Health Association (Associação Americana de Saúde Pública) outorga o Prêmio do Grupo Lasker de 1951 aAlcoólicos Anônimos, em reconhecimento à sua maneira muito e sem igual de lidar com o antigo problema de saúde pública e social - o alcoolismo.

... Ao enfatizar o fato de que o alcoolismo é uma doença, o estigma social que acompanha esta condição está desaparecendo.

...Alcoólicos Anônimosparte do princípio de que um alcoólico recuperado pode alcançar e tratar um companheiro sofredor como ninguém mais pode. Fazendo dessa maneira, o alcoólico recuperado mantém sua própria sobriedade.

... Esse não é um movimento de reforma, nem é dirigido por profissionais que estão interessados no problema. È financiado por contribuições voluntárias de seus próprios membros, sendo que todos permanecem anônimos.

 ... Os historiadores podem, um dia, apontarAlcoólicos Anônimoscomo uma sociedade que fez muito mais do que alcançar uma considerável média de êxitos com relação ao alcoolismo e seu estigma; eles podem reconhecer queAlcoólicos Anônimostem sido uma grande obra de pioneirismo social e que produziu um novo instrumento de ação social; uma nova terapia baseada na semelhança do sofrimento comum – terapia esta, que encerra em si um vasto potencial para os inúmeros males da sociedade".

(Leia este texto na íntegra na página 283 do livro"A.A. Atinge a Maioridade"– Junaab, código 101. Veja referências ao prémio nas páginas 4 e 78 do mesmo livro).

O Prêmio Albert Lasker de Pesquisa Médicaé concedido anualmente desde1946 a pessoas vivas que realizaram contribuições significativas à medicina, ou que realizaram serviços públicos notórios em medicina. É administrado pela Fundação Lasker, criada pelo pioneiro da publicidade Albert Lasker e sua esposa Mary Woodward Lasker.

A estatueta do prêmio é uma miniatura da escultura"A Vitória de Samotrácia",também conhecida como"Nice de Samotrácia" -reproduz a deusa grega Nice e representa a vitória.  Este prêmio à pesquisa científica é o mais cobiçado dos EUA e costuma ser comparado ao Prêmio Nobel - muitos dos seus vencedores receberam ambas as honras.

A cerimónia de premiação foi realizada na Ópera de São Francisco em 30 de outubro de1951.  O Dr. Bernard Smith (não alcoólico), ex-presidente do Conselho da Fundação do Alcoólico – atual Junta de Serviços Gerais recebeu o prêmio em nome de Alcoólicos Anônimos.

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Outubro de 1954 – A criação da Junta de Serviços Gerais de A.A.

"A Junta de Serviços Gerais (os Custódios) é o braço principal de serviço da Conferência e seu caráter é essencialmente de custódia... Com exceção de decisões sobre assuntos de política, finanças ou a Tradição de A.A. que possa afetar seriamente a Irmandade em sua totalidade, a Junta de Serviços Gerais tem liberdade total de ação na direção rotineira dos assuntos de política ou de negócios dos serviços incorporados de A.A..."extraído da Ata da Constituição da Conferência.

A Junta de Serviços Gerais é constituída por um Grupo de servidores de confiança – os Custódios, composta por alcoólicos e não alcoólicos que elegem seus próprios sucessores, ficando a eleição, entretanto, sujeita à aprovação da Conferência ou de um Comitê da mesma.

Os Custódios de Alcoólicos Anônimos ocupam-se de tudo que possa afetar a saúde e o desenvolvimento da Irmandade dentro e fora dela. Entretanto, em conformidade com a Ata de Constituição da Conferência, seus deveres são essencialmente de custódia. Quando há necessidade de tomar uma decisão sobre a política geral da Irmandade, os Custódios sempre acorrem à Conferência. Devido a que os Custódios são membros da plenária da Conferência, participam das suas decisões como membros individuais, e não como Grupo.

A Junta de Serviços Gerais, estabelecida com este nome em outubro de1954pela Conferência de Serviços Gerais, é a sucessora daFundação do Alcoólicocriada em1938por Bill W. e pelo Dr. Bob  e dissolvida em1951por ocasião da Primeira Conferência de Serviços Gerais –

Ver em:http://www.alcoolicosanonimos.org.br/organizacao-historia/45-a-primeira-conferencia-de-servicos-gerais

Em1951, ano da primeira Conferência de Serviços Gerais, a Junta era composta por oito Custódios não alcoólicos e sete Custódios alcoólicos. Desde sua formação, houve duas mudanças importantes na composição da Junta. A primeira mudança aconteceu em1962quando, em decorrência do crescimento da Irmandade, foi necessário incorporar membros de A.A. com experiência de serviço em diversas Áreas dos EUA e Canadá para ampliar a base dos serviços. Naquele então, foi aprovado o aumento do número de membros da Junta para poder incorporar alguns Custódios vindos de Estados e Províncias fora da Cidade de Nova York. Em1966foi feita a segunda mudança importante. Desde o começo houve uma maioria (de um) de membros não alcoólicos na Junta.Pela metade da década de1960, A.A. tinha acumulado uma sólida experiência em dirigir seus próprios assuntos e conseguiu elaborar um método prático para conseguir a participação de Custódios que residiam a certa distância de Nova York. A configuração atual é composta por sete Custódios não alcoólicos (mandato de seis anos) e 14 alcoólicos (mandato de quatro anos), ou seja, estabeleceu-se uma maioria de 2/3 de Custódios alcoólicos.

A Junta de Serviços Gerais de A.A. no Brasil

Em 29 de fevereiro de1976, durante oTerceiro Conclave Nacional, em São Paulo-SP, reuniram-se os membros do Conselho Diretor do CLAAB e mais 29 Delegados representando 16 Estados, e criaram aJunta Nacional de Alcoólicos Anônimos do BrasilJUNAAB.

Na 8ª Conferência de Serviços Gerais, em1984, em Blumenau, que deu posse à Junta de Custódios, a JUNAAB deixa de se denominar Junta Nacional de Alcoólicos Anônimos do Brasil, para se chamarJunta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos do Brasil. Por ser difícil a pronúncia de JSGAAB, optou-se por mudar o nome e manter a palavra Junaab, mais fácil de pronunciar e já conhecida de todos os membros. A atual Junta de Custódios no Brasil é composta por 14 membros: quatro não alcoólicos (mandato de quatro anos com possível reeleição) e dez alcoólicos (mandato único de quatro anos). (Ver Cap. VI doManual de Serviço de A.A.– Junaab, código 125).

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Outubro de 1965 - A Convenção Pioneira de A.A. no Brasil

Antes da formalização dos Serviços Gerais de A.A. no Brasil através da criação do CLAAB em1969,o historiador Luiz M. relata em seu livro"Alcoólicos Anônimos no Brasil – Datas e fatos anotados",que"Entre30 de outubro e 2 de novembro de1965, foi realizada no Rio de Janeiro-RJ, aPrimeira Convenção Nacional de A.A.com a presença de companheiros de diversos Estados do Norte, Nordeste, Centro-Sul, Sul e principalmente do Rio. Os eventos foram realizados na sede doPen Clube no ColégioTalmud Torah.Dito evento só pode ser realizado pelo apoio de diversos amigos de A.A., tais como: Dr. Francisco Laport, Embaixadores Paschoal Carlos Magno, e Dr. Oswald de Moraes Andrade".

Embora nessa época não existisse uma estrutura formal de A.A. no Brasilconforme os procedimentos do Serviço Mundial de A.A., este evento faz parte da história de A.A. no Brasil e assim o reconheceu a Conferência de Serviços Gerais de1982, em Fortaleza-CE, quando a sua plenária aprovou a Recomendação nº 8 apresentada pelaComissão de Política e Admissões com o seguinte texto:

8.-   Recomenda-se a inserção nos anais históricos da JUNAAB do evento ocorrido em1965no Rio de Janeiro, então Estado da Guanabara, que constitui a Convenção Pioneira de Alcoólicos Anônimos no Brasil.

Com a estrutura de serviços de A.A. no Brasil em processo de formalização e adaptação ao Serviço Mundial de A.A., os primeiros eventos com o formato de Convenção assemelhada à estrutura sênior – EUA/Canadá, iniciaram-se no carnaval de1974, em São Paulo-SP, com a denominação de"Conclave Nacional"– somente iria ser chamada de"Convenção Nacional"a partir da VII Convenção Nacional, em Fortaleza-CE, em1982.

Todos os Conclaves e Convenções:

1974- I ConclaveNacional, São Paulo, SP.
1975-II ConclaveNacional, São Paulo-SP.
1976-III ConclaveNacional, São Paulo-SP.
1977- IV ConclaveNacional, Recife-PE.
1978-V ConclaveNacional, Belo Horizonte-MG. 
1980- VI ConclaveNacional,Porto Alegre-RS.
1982- VII ConvençãoNacional, Fortaleza-CE.
1984- VIII ConvençãoNacional,Blumenau-SC.
1986- IX ConvençãoNacional, João Pessoa-PB.
1988- X ConvençãoNacional, Curitiba-PR.
1990- XI ConvençãoNacional, Belém-PA.
1992- XII ConvençãoNacional, Brasília-DF.
1994- XIII ConvençãoNacional, Teresina-PI.
1997- XIV ConvençãoNacional, Rio de Janeiro-RJ.
2000- XV ConvençãoNacional, Salvador-BA.
2003- XVI ConvençãoNacional, São Paulo-SP.
2007- XVII ConvençãoNacional, Manaus-AM.
2012- XVIII ConvençãoNacional, Cuiabá-MT.
2016- XIX ConvençãoNacional, Maceió-AL.
2020- XX ConvençãoNacional, Belo Horizonte-MG. 

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Outubro de 1969 – A primeira Reunião de Serviço Mundial (RSM)

A Ata de Constituição da Conferência de Serviços Gerais, redigida no começo dos anos de1950por Bill W. e por Bernard Smith – Custódio não alcoólico e Presidente da então Fundação do Alcoólico (atual Junta de Serviços Gerais), adotada em1955, propunha que a Conferência dos EUA/Canadá deveria eventualmente ter"seções"em países estrangeiros. Entretanto, cada país foi desenvolvendo sua própria estrutura autônoma de serviço. A maioria, em maior ou menor grau, se remeteu ao modelo dos EUA/Canadá,mastodas elas independentes.

Foi sob esta influência que a meados de1960, Bill W. começou a pensar numa reunião mundial de serviços. Em outubro de1967enviou um memorando ao Escritório de Serviços Gerais – ESG, com o seguinte teor:"Sugiro que o ESG realize uma pesquisa direcionada a todas as áreas de maior população de A.A. no mundo todo, perguntando se gostariam de participar de uma reunião de serviço mundial, a título experimental, a realizar-se em Nova York em1969".

A Junta autorizou o projeto e no dia 15 de novembro de1967foram enviadas cartas-convite aos representantes de Inglaterra, Austrália, Nova Zelândia, França, Bélgica, Alemanha, Finlândia, América Central (Costa Rica, Honduras, Guatemala, El Salvador, Panamá, Nicarágua), América do Sul, México, Noruega, África do Sul e Holanda.

O projeto foi aprovado pelos países interessados e pela Conferência de Serviços Gerais de1968dos EUA/Canadá. Assim, foi criadaReunião de Serviço Mundial– RSMem1969. Realiza-se a cada dois anos (nos anos pares) alternando uma reunião em Nova York - cidade sede do Serviço Mundial nas Reuniões ordinais pares – outra reunião em qualquer outra cidade do mundo onde exista estrutura de serviços de A.A. escolhida por consenso dentre as estruturas participantes, nas Reuniões ordinais impares.

A primeira Reunião de Serviços Mundiais foi celebrada Em Nova York entre os dias 9 e 11 de outubro de1969com a participação de 27 Delegados de 16 países. As seguintes Reuniões foram:

Em Nova York: a 2ª,1972; 4ª,1976; 6ª,1980; 8ª,1984; 10ª,1988; 12ª,1992; 14ª,1996; 16ª,2000; 18ª,2004; 20ª,2008; 22ª,2012e 24ª,2016.

A 3ª –1974, Londres, Inglaterra; 5ª –1978, Helsinki, Finlândia; 7ª –1982, San Juan del Rio, México; 9ª –1986, Ciudad de Guatemala, Guatemala; 11ª –1990, Múnich, Alemanha; 13ª - 1994, Cartagena, Colômbia; 15ª –1998,Auckland, Nova Zelandia; 17ª –2002, Oviedo, España; 19ª –2006, Dublín, Irlanda; 21ª –2010, Ciudad de México, México; 23ª –2014, Varsovia, Polonia.

Participação de A.A. do Brasil na RSM

Em 29 de fevereiro de1976, durante o Terceiro Conclave Nacional, em São Paulo, reuniram-se os membros do Conselho Diretor do CLAAB e 29 Delegados representando 16 estados, e criaram aJunta Nacional de Alcoólicos Anônimos do BrasilJunaab. O Estatuto dispunha que seriam Órgãos da JUNAAB, uma Assembleia Geral, uma Diretoria e o CLAAB. Assim, Alcoólicos Anônimos no Brasil credenciava-se a enviar dois representantes para a 4ª Reunião de Serviço Mundial, em Nova York em outubro desse ano. Para isso foram eleitos, Donald L. (SP) com mandato de dois anos e Joaquim Inácio (RS) com mandato de quatro anos. Em1978, noV Conclaverealizado em Belo Horizonte, foi eleito Eloy T. para substituir Donald L., e junto com Joaquim Inácio foram participar da 5ª RSM em Helsinki, Finlândia. A partir de então as eleições passaram a ser realizadas a cada dois anos e os exercícios ter quatro anos de duração e, com exceção das três primeiras e da 11ª RSM, em Munich, Alemanha, em1990, A.A. do Brasil participou de todas as Reuniões de Serviço Mundial e de todas Regionais (a REDELA – nos anos ímpares) desde a sua criação em1979.

A partir da Conferência de Serviços Gerais de2008, os Delegados à RSM (dois) passaram a ser denominados Custódios Nacionais - alcoólicos.

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Novembro em A.A. – Mês das Tradições e da Gratidão (1/2) - A história da sacola nos Grupos de A.A. do Brasil(*)

(*):A história a seguir é a transcriçãoipsi litterisde um documento do acervo dos Arquivos Históricos da Junaab redigido por Luiz M., membro do Grupo Central do Brasil, na cidade do Rio de Janeiro e idealizador da tradicional sacola utilizada em inúmeros Grupos de A.A. no Brasil para recolher as contribuições voluntárias dos seus membros.

Quando ingressei em A.A., em1953, o Grupo Central do Brasil fazia suas reuniões no escritório de um companheiro e, pouco mais adiante, no escritório de um amigo no mesmo prédio. (Lembro aqui a saudosa figura de nosso grande amigo, Dr. Henrique L. Mallmann). Não tínhamos, pois, despesa de aluguel. Na verdade, nossa despesa se resumia na leitura das poucas literaturas existentes, no aluguel da Caixa Postal 5218 e com a resposta das cartas recebidas de todo o Brasil.

A manutenção dessas despesas era feita por alguns companheiros em coleta particular fora das reuniões. influía nessa decisão o conceito - muito acendrado na época - de que A.A. deveria permanecer pobre. Concorreu muito para isso, também, a decisão anteriormente tomada, de confiar o"tesouro"de A.A. aos cuidados do marido de uma companheira norte-americana - ele, Almirante daquele país, em missão no Brasil - missão por ele honrosamente aceita e que redundou, com a recaída de um companheiro que, embriagado, foi à sua porta cobrar a devolução das contribuições que havia feito; o resultado foi a decisão dos demais companheiros em doar, a um hospital para alcoólicos, todo aquele dinheirão e não mais se falar nisso em A.A.

Quando fui convidado para secretário do Grupo Central do Brasil, em1955, havia tomado conhecimento de que, nos EUA, para fazer face às despesas, no fim das reuniões"corria o chapéu".Como eu considerava errada nossa manutenção por alguns companheiros e como nossas despesas haviam crescido muito com a tradução e impressão de mais de 20 literaturas e um Boletim de Notícias que eram, todos, distribuídos gratuitamente, sentindo a necessidade de mais numerário e ciente de que no Brasil ninguém usava chapéu, depois de consultar outros companheiros, pendurei na parede da sala de nossas reuniões a primeira sacola. Dessa forma, com a contribuição anônima dos nossos companheiros, conseguimos os recursos suficientes para todas as nossas despesas, incluindo o fornecimento gratuito, aos demais Grupos, de fichas, literaturas e Boletim de Noticias.

Não podendo aplicar no Brasil o estilo norte-americano (onde o alcoólico, por mais baixo que tenha descido, tem sempre seu seguro desemprego e seu seguro social; esse povo tem muito espírito clubístico e associativo, tudo muito diferente do nosso País), achamos, mais uma vez, um"jeitinho"bem brasileiro para o nosso minguado problema financeiro.(Fim da transcrição).

Para saber mais:Leia o artigo de Bill W."A Respeito do Dinheiro",escrito em novembro de1957e transcrito a partir da página 257 do livro"A Linguagem do Coração"– Junaab, código 104.

Veja também:http://www.alcoolicosanonimos.org.br/origens/109-a-origem-do-mes-da-gratidao

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Novembro em A.A. – Mês das Tradições e da Gratidão (2/2) - A Gratidão e o Plano de Aniversário

Extrato parcial do Boletim Box 4-5-9 de setembro/2016

Gratidão é a essência de A.A. - gratidão pela nossa libertação do alcoolismo ativo e, como Bill W. disse em seu ensaio sobre o Décimo Passo no último parágrafo da página 87 do livro"Os Doze Passos e as Doze Tradições"– Junaab, código 105:"... estamos realmente prontos para agradecer a Deus todas as graças recebidas...".

Não há nenhuma época específica para a prática da gratidão por um membro de A.A., assim como tampouco existe nenhuma data para seu término, mas os AAs, desde já faz bastante tempo, sinalizam a semana do Dia de Ação de Graças (NT:nos EUA e no Brasil este dia é comemorado na quinta-feira da quarta semana de novembro. No Canadá, acontece na segunda-feira da segunda semana de outubro)como um período apropriado para enfatizar sua gratidão por A.A. e por sua recuperação e para converter a gratidão em ação.

Além de celebrar o Mês da Gratidão, muitos membros se valem do Plano de Aniversário para"dar o que me foi dado"nas palavras de um AA que escreveu uma carta com um cheque anexado.

O Plano do Aniversário foi concebido durante uma pausa para o café na Convenção Estadual de Oklahoma em1954. Ab A., um Delegado, sentiu-se"inspirado",disse posteriormente, por seu companheiro Ted R., a quem lhe ocorreu a"ideia maravilhosa"de que aos membros poderia lhes gostar celebrar a sua sobriedade"presenteando"o Escritório de Serviços Gerais – ESG com um dólar por cada ano de sobriedade, no dia de seu aniversário de A.A. De volta ao seu Grupo de Tucson, Ab consultou alguns membros sobre a ideia, a qual foi muito bem aceita e foi tomando a cada vez mais impulso com resultados espetaculares - as contribuições quase duplicaram durante o primeiro ano. A ideia foi estendida rapidamente a todas as partes dos EUA e Canadá e, em1956, a Conferência de Serviços Gerais aprovou o Plano do Fundo de Aniversário, através do qual os membros veteranos lembrariam aos seus companheiros recém-chegados a sua responsabilidade para com o ESG.

..."Para mantermo-nos sóbrios, temos que nos envolver com a nossa própria sobriedade",diz Steve T., de El Reno, Oklahoma, Delegado de Área em1998."Alcoólicos Anônimos é um programa de ação. Da mesma maneira que sentar-me em um galinheiro não irá me transformar em um frango, não acredito que com apenas me sentar em uma sala de reunião irei me tornar um membro sóbrio. Praticar e viver os Passos e as Tradições é o que garante a sobriedade".

..."Considere o que você pode e o que deve fazer e lembre que o alcoolismo é um negócio familiar: seus filhos e netos são acionistas, embora ainda não o saibam. O investimento feito hoje nesta Irmandade serve para garantir que a mão de A.A. esteja ali quando um membro da sua família a precise".(Stanley K., Temple, Texas, maio de2000)

Veja este artigo completo em:

http://www.aa.org/newsletters/es_ES/sp_box459_fall16.pdf

Você poderá fazer sua contribuição voluntáriaon-lineao ESG acessando:

http://www.alcoolicosanonimos.org.br/index.php/contribuicao-voluntaria

Para saber mais:Leia o artigo de Bill W."A Tradição de Autossuficiência em A.A.",escrito em outubro de1967e transcrito a partir da página 412 do livro"A Linguagem do Coração"– Junaab, código 104.

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Novembro em A.A. – Mês da Luz e da Posteridade: Nascimento de Bill W. e morte do Dr. Bob

 Novembro de 1895: O nascimento de Bill W.

William Griffith Wilson, também conhecido por Bill Wilson ou Bill W. - nome pelo qual ficou conhecido no mundo inteiro – nasceu em East Dorset, Vermont, EUA, no dia 26 de novembro de1895. Foi o cofundador de Alcoólicos Anônimos – uma Irmandade de grupos de ajuda mútua, juntamente com o Dr. Robert Smith, mais conhecido como Dr. Bob S. ou Dr. Bob.

Filho deEmily Griffith Wilsone deGilman Barrows Wilsonque acabaram se divorciando quando ele tinha 11 anos de idade foi deixado por ambos os pais, juntamente com a sua única irmã, Dorothy, aos cuidados dos avós maternos - Ella Griffithe Gardner Fayette Griffith – este, alcoólico. Bill, mais tarde, começara ele próprio a beber, para comemorar ou para esquecer. Casou-se em1918com Lois Burnham, que, anos mais tarde, o ajudaria na fundação dos Grupos Familiares Al-Anon, organização destinada ao apoio às famílias de alcoólicos. Todavia, Bill, que fez carreira militar, não conseguiu abandonar o álcool durante quase vinte anos, vindo a ser internado quatro vezes por esse motivo. A primeira vez ocorreu em1933, ano em que as suas crises devido ao alcoolismo foram mais agudas. A última internação foi em dezembro de1934

Bill W. morreu em 24 de janeiro de1971em Miami, Flórida, e seus restos mortais repousam no cemitério de East Dorset, onde ele nasceu.

Para saber mais:Leia a história da vida e obra de Bill W. relatada no livro"Levar Adiante"(Pass It On) – Junaab, código 118

Novembro de 1950: A morte do Dr. Bob.

Robert Holbrook Smith,mais conhecido comoDr. BobouDr. Bob S.- nome pelo qual ficou conhecido no mundointeiro –nasceu em 8 de agosto de1879,em Saint Johnsbury, Vermont, EUA;foi um médico cirurgiãoe cofundador de Alcoólicos Anônimos juntamente com Bill Wilson, também conhecido como Bill W.

Embora tivesse uma irmã adotiva muito mais velha –Amanda Northrup- era filho único do juizWalter Perrin SmitheSusan Smith Holbrook.Desde cedo teve problemas com o alcoolismo, mas ainda assim, frequentou o Dartmouth Collegee conseguiu graduar-se em medicina em1902com pós-graduação no Rush Medical College. Foi casado com Anne Ripley Smith e tiveram dois filhos – um biológico e uma fila adotiva. O seu alcoolismo piorava a cada dia até o ponto no qual não tinha mais condições de clinicar e ser considerado um caso irrecuperável.

Em maio de1935, por insistência de uma amiga, Smith concordou em falar com um certo Bill Wilson, que desejava muito conversar com um , mas disse que só poderia ficar 15 minutos. Porém, a conversa se estendeu por horas a fio e ambos conseguiram juntar forças para abandonar para sempre a bebida. Esse encontro foi o embrião de A.A. criada em junho daquele mesmo ano. Dr. Bob não só se recuperou de seu alcoolismo como também teve o seudespertar espiritual- tal qual Wilson no ano anterior - e retornou à sua antiga profissão.

O Dr. Bob S. faleceu em 16 de novembro de1950devido a um câncer de cólon, em Akron, Ohio e seus restos mortais, junto aos de Anne, repousam no cemitérioMount Peace de Akron.

Para saber mais:Leia a história da vida e obra do Dr. Bob, relatada no livro"Dr. Bob e os Bons Veteranos"– Junaab, código 116, e o tributo escrito por Bill W. por ocasião da sua morte"Dr. Bob: Um Tributo",na página 416 no livro"AalcoólicoLinguagem do Coração"– Junaab, código 104.

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Novembro de 1969: A publicação do livro"Alcoólicos Anônimos"(Livro Azul) no Brasil

Ao que parece a concessão só veio em fins de1968, quando Gilberto, um AA brasileiro, funcionário da ONU e residente em Nova York, passando férias no Rio de Janeiro tomou conhecimento através deDorothy N.– uma AA do Rio e cofundadora junto com Donald L. do primeiro Grupo de A.A. em língua portuguesa no Estado de São Paulo – oGrupo Sapiens, quem lhe disse que em São Paulo o companheiro Donald L. estava traduzindo oBig Book(Alcoholics Anonymous)para o Grupo Sapiens – cofundado pelos dois, e o considerava capacitado para fazer a tradução do livro para o Brasil. De volta a Nova York, Gilberto intermediou as negociações entreA.A. World Services Inc. -  A.A.W.S.,órgão detentor dos direitos autorais da literatura oficial de A.A., e Donald para fazer a tradução oficial doBig Book.A.A.W.S. autorizou a tradução dos onze primeiros capítulos dizendo-lhe ser necessária a formação de um comitê de tradução, e informando-lhe que a impressão não poderia ser feita no Brasil, mas, após análise, em Nova York.

Em1966,Donald L.um AA de São Paulo, começou a traduzir o livro "AlcoholicsAnnonymous" para o português.

A seguir algumas das condições impostas para a distribuição do livro no Brasil:

  1. Que fosse instalado no Brasil umCentro de Distribuição de Literatura(operacional)
  2. Que o livro fosse vendido no varejo ao preço unitário de U$ 2.00, (dois dólares americanos), aos membros e U$1.75, aos Grupos.
  3.  Que quando fosse criado oEscritório de Serviços Gerais de A.A. no Brasil, o Centro de Distribuição de Literatura passasse a se constituir parte integrante daquela organização de serviços.
  4. Que, uma vez aprovada a proposta em questão, fosse a operação considerada"em confiança",assumindo todos os participantes da negociação total responsabilidade, como sendo os representantes de todos os membros de A.A. no Brasil.

Aceitas estas condições, foi liberado o direito de edição e publicação, em português, de 2.000 (dois mil) exemplares do livroAlcoholics Anonymous,ao custo financiado de U$ 2,000.00 (dois mil dólares americanos). Para esta concessão,válida para os próximos cinco anos,o A.A.W.S., Inc., estabeleceu ainda as condições:

a)  Remessa mensal ao A.A.W.S. de U$ 0.82 (oitenta e dois centavos de dólar), por cada livro vendido ou distribuído.

b)  Advertência expressa no livro de que os direitos autorais pertencem ao A.A.W.S. (A.A. World Services, Inc. -Serviços Mundiais de A.A.),e proteção integral quanto ao citado direito.

c)   Notificar A.A.W.S. no caso de não serem vendidos os 2.000 exemplares.

A primeira edição do livro "Alcoólicos Anônimos"ou"Livro Azul",como aqui passou a ser conhecido, foi publicada em novembro de1969e foi uma tradução da Segunda Edição do livro homônimo em inglês publicada em1955.

O atendimento às condições impostas para a concretização do empreendimento para a publicação do"Livro Azul",fez com que a Estrutura de Serviços no Brasil decolasse.

Lembrete:A última frase do primeiro Preâmbulo de A.A., adotado em1940(o atual, data de1947), dizia:"Se você ainda não tem o livroAlcoólicos Anônimos(Livro Azul),adquira-o. Leia-o, estude-o, viva-o, empreste-o, divulgue-o e aprenda com ele o que significa ser membro de A.A.".

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Dezembro de 1934: A experiência espiritual de Bill W.

Embora nas três internações anteriores – num período de pouco mais de um ano - tivessem existido alucinações como consequência do"tratamento da beladona"– o tratamento oferecido pelo Towns Hospital, em Nova York, para a "cura" do alcoolismo, foi na quarta internação ocorrida entre os dias 11 e 18 de Dezembro de1934, que, passadas as primeiras 50 horas do tratamento, isto é, do segundo para o terceiro dia, que Bill W. teve uma experiência diferente. Nas suas palavras, a partir de uma profunda depressão e chegando ao ponto de total esvaziamento, entrou num estado de rendição completa e absoluta. Sem nenhuma fé ou esperança, ele gritou:"Se existe um Deus, que Ele se manifeste! Estou pronto para fazer qualquer coisa, qualquer coisa!".

Então teve aquele"hot flash", ou estalo, que ele assim descreveu: "De repente o quarto se encheu de uma forte luz. Mergulhei num êxtase, que não há palavras para descrevê-lo. Pareceu-me, com os olhos de minha mente, que eu estava numa montanha e que soprava um vento, não de ar, mas de espírito. E então tive a sensação de que era um homem livre. Lentamente o êxtase passou. Eu estava deitado na cama, mas agora por instantes me encontrava em outro mundo, um mundo novo de conscientização. Ao meu redor e dentro de mim, havia uma maravilhosa sensação de presença e pensei comigo mesmo:'Então esse é o Deus dos pregadores!'. Uma grande paz tomou conta de mim e pensei:'Não importa quão erradas as coisas pareçam ser, elas ainda são certas. As coisas são certas com Deus e Seu mundo'" -último parágrafo da página 56 do livro"A.A. Atinge a Maioridade" –Junaab, código 112.

Pouco depois dessa"viagem ao topo da montanha",Bill chamou o médico e perguntou:"Estou ficando louco?". De acordo comDale Mitchell,biógrafo de Bill, o Dr. Silkworth poderia ter advertido ao paciente que o tratamento combeladonaque ele estava recebendo"... era susceptível de causar imagens vibrantes, confusão mental e produzir alucinações daquele tipo".Isso é o que qualquer médico provavelmente teria feito. Mas, não apenas como médico, mas também como um homem humilde que acreditava que as coisas acontecem por uma razão e que os motivos de seu sucesso muitas vezes são obscuros para nós, o Dr. Silkworth escolheu outro caminho - um caminho pelo qual todos nós AAs devemos ser eternamente gratos a este"pequeno doutor que amava os alcoólicos". Ele disse a Bill que ele não estava ficando louco e que"... seja o que for que tenha tido, é melhor se apoiar nisso; isso é muito melhor do que você tinha há somente algumas horas atrás".

Nas próximas horas foi visitado por Ebby T.que não entendeu absolutamente nada do que tinha ocorrido, mas entregou a Bill um livro presenteado por Rowland Hazard um membro do Grupo de Oxford, como Ebby, que oferecia esclarecimentos adicionais àquela experiência:"As Variedades da Experiência Religiosa",do filósofo e pai da psicologia americana e do conceito doPragmatismo, William James cujo pensamento viria fazer parte do programa de A.A..

Mais tarde, ao ler esse livro levado por Ebby, Bill entendeu que lhe teria acontecido o que William James descrevia como"despertar espiritual",ou"experiência espiritual", expressão esta, que viria fazer parte de seus futuros depoimentos e palestras, e do vocabulário de grande parte dos membros de A.A.

Anos mais tarde, Bill W. afirmou que, se o Dr. Silkworth tivesse desencorajado sua nova relação com o"mundo do espírito",duvidava que fosse recuperar-se.

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Dezembro de 1952: O primeiro Estatuto de A.A. no Brasil

No final de dezembro de1949, Harold W. - um cidadão inglês naturalizado brasileiro e um dos membros pioneiros de A.A. no Rio de Janeiro, viajou até São Paulo-SP a convite de algumas pessoas interessadas em dar início às atividades da Irmandade nessa cidade. Entre os materiais informativos que levava, havia dois livretos traduzidos por ele entre meados de1948e1949, os primeiros de uma série de literatura de A.A. produzida ao longo dos anos1950e1960e que ficaram conhecidos genericamente como"Folhetos brancos":o primeiro, uma descrição de A.A. contendo os Doze Passos, ficou conhecido como"Livro Branco"e o segundo, continha"A Tradição de A.A. - Doze Pontos para assegurar nosso futuro". Harold permaneceu em São Paulo aproximadamente um mês e, após seu regresso ao Rio, aqueles paulistanos criaram e registraram em 1º de março de1950,  a"Associação Antialcoólica",a qual usava como programa de recuperação dos seus associados alcoólicos o conteúdo doLivro Brancodeixado por Harold, mas ignorou totalmente as Tradições. Nos primeiros anos da década de1950, conforme as conveniências do momento, esta associação se apresentava ora como antialcoólica, ora como Alcoólicos Anônimos.

Estes acontecimentos e circunstâncias fizeram com que os membros de A.A. do Rio de Janeiro, ao tomar conhecimento do uso indevido do nome e da literatura de A.A., decidissem registrar oficialmente o nome da Irmandade e seu Estatuto no Brasil.

O Estatuto, redigido em quatro páginas foi registrado no dia 8 de Dezembro de1952no"Registro Das Pessoas Jurídicas",na"Avenida Franklin Roosevelt, 120-2º, Sala 2, no Rio de Janeiro",continha cinco Capítulos e terminava com:"A Tradição dos Alcoólicos Anônimos - Doze Pontos para assegurar nosso futuro"– isto é, as Doze Tradições na forma longa.

O Capítulo I -"Da denominação, fins, sede e duração",rezava:

Art. 1º- Sob a denominação de"Alcoólicos Anônimos",fica constituída por tempo indeterminado, uma entidade civil, de âmbito nacional, com sede à Av. 13 de Maio, 23, 2º and. Sala 332 e Caixa Postal 5218, representada por um Grupo Central e indeterminado número de grupos distribuídos em todo território nacional que se regerá por este Estatuto e Tradições.

Art.  2º-     A finalidade é essencialmente de caráter filantrópico, altruísta e meritório, não podendo haver contribuições materiais de nenhuma espécie. Os grupos"AA"destinam-se a auxiliar e proteger os doentes do álcool, por meio de ensinamentos, fortificando-lhes o espirito e a moral.

Os outros Capítulos eram:

Capítulo II – Administração;

Capítulo III – Dos Grupos;

Capítulo IV – Dos Associados, deveres e direitos;

Capítulo V – Disposições Gerais.

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Dezembro de 1955:"O homem na cama"

image002O quadro à esquerda foi pintado a óleo pelo artista e membro de A.A. Robert M. em1955para ilustrar a edição de natal da revista Grapevine em dezembro daquele ano. Retrata os cofundadores de A.A., Bill W. e o Dr. Bob, levando a mensagem a um homem acamado que o público identificou como sendo o AA nº 3, ou seja,Bill D. (1852-1954)– que não chegou a conhecer a obra porque tinha falecido em17/09/1954.

Seu título original foi"Came to Believe"ou,"Viemos Acreditar".Logo se tornou muito popular entre os membros da Irmandade e reproduções simples foram disponibilizadas para venda. Em maio de1956a pintura foi presenteada pelo autor a Bill W. que a emoldurou e pendurou no escritório de sua casa –Stepping Stones, em Bedford Hills, Nova York, onde permanece depois de a casa ser convertida em museu. Bill W. enviou uma carta de agradecimento a Robert da qual segue um trecho:

"Caro Robert: A sua pintura representando'O homem na cama'ficou muito bem enquadrada no meu estúdio em Bedford Hills. É uma coisa maravilhosa ter esse quadro. Ao olhar para o conjunto, percebe-se o coração e a essência de A.A. ...Ao saber do meu grande agradecimento, Lois também quer acrescentar o dela.

Sempre seu, Bill W.".

Em1973, com a publicação do livro"Viemos Acreditar"e, para evitar confusões, os editores da Grapevine mudaram o titulo da ilustração para"The man on the bead",ou"O homem na cama",tal como Bill W. se referia a Bill D.

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Boletim CAHist

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