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Como funciona o ego

“Façamos a experiência dizendo em voz alta: – eu não posso beber e – eu não quero beber! Qual das duas frases tem mais força?”

Ouço com freqüência vários companheiros dizerem “eu não posso beber”. Não seria mais interessante dizer “eu não quero beber”?

Façam uma experiência: pronunciem essas duas frases em voz alta; deixem-nas ecoar na mente e percebam quanto a segunda é mais forte; como ela transmite certeza, convicção, positivismo, enquanto a primeira deixa transparecer uma certa dúvida, um quê de incerteza.

Além disso, “eu não quero beber” sugere decisão consciente e firme por parte de quem emite a frase, ao passo que “eu não posso beber” pode fazer pensar em uma atitude de fora para dentro, uma decisão que uma pessoa toma por outra.

Buscando apoio para essa distinção que faço entre querer e poder, procurei auxílio no dicionário e lá descobri que querer, dentre outras coisas, é “ter ou manifestar vontade firme e decidida” e que poder é, dentre outras coisas, “ter força, ou energia, ou calma ou paciência para”.

Se analisarmos atentamente as duas definições, veremos que a primeira, a priori, não permite falhas nem vacilos, pois parte de um desejo firme e honesto, o qual, aplicado a nós, se traduz num desejo firme e honesto de não ingerirmos bebidas alcoólicas. Já a segundo amostra um estado e/ou virtudes que podem, em determinados momentos de nossa vida, falhar, constrangendo-nos, fazendo-nos duvidar ou vacilar diante de nossa escolha inicial. Essa pequena discussão pode parecer inoportuna ou sem propósito, mas quero lembrar-lhes que, segundo alguns autores (opinião, diga-se de passagem, compartilhadas por mim), a palavra possui um grande poder, sendo capaz de derrubar ou erguer qualquer indivíduo.

Partindo dessa premissa e da definição de querer, quando digo “eu não quero”, estou fortalecendo em mim uma idéia que, para a grande maioria de nós, foi construída sobre uma base de muito sofrimento, tanto pessoal quanto daqueles que se encontram ou se encontravam conosco.

Para nós, alcoólatras em recuperação, esta vida de abstinência e de busca de sobriedade é uma construção que se realiza a cada período de 24 horas em que nos mantemos sóbrios. Sendo uma construção, tem como pedra fundamental a admissão e a aceitação da nossa impotência perante o álcool.

Quando iniciamos nossa caminhada, é compreensível que utilizemos o verbo poder, pois ainda temos a nos sondar a mente algumas incertezas e medo que nos conduzem a duvidar do nosso sucesso na empreitada iniciada.

No decorrer das 24 horas, porém, fortalecemos o nosso ideal, retiramos das nossas reuniões os materiais de que necessitamos para erguer uma sólida construção e, então, passamos a utilizar o verbo querer, que traz em si, como já foi dito, uma fonte de convicção de que conseguimos e de que conseguiremos vencer este obstáculo, o Alcoolismo.

Responder a alguém que nos pergunta se queremos ou não beber com “não posso” ou “não quero” dependerá da circunstância, do momento, porém, em minha opinião, ao dizermos “não quero”, estamos afirmando, sem sombra de dúvida, ao nosso interpelador e a nós mesmos que estamos convictos, da nossa posição.

(Revista Vivência nº 97, página 17 e 18)