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Alcoólico/a Recuperado/a ou em Recuperação?

Box 4-5-9, Abr. Mai. / 1993 (pág. 4-5) =>  http://www.aa.org/newsletters/es_ES/sp_box459_april-may93.pdf
Título original: “¿Cual  es la mejor forma de decir ‘Estoy sobrio hoy’?
 
“Meu nome é Mark P. e sou alcoólico. No Livro Grande (nosso Livro Azul no Brasil), e em outra literatura de A.A., vejo a palavra ‘recuperado’ porém, em algumas reuniões ouço dizer que isso não existe, que o correto é dizer somente ‘em recuperação’. Digam-me por favor, qual é a forma correta?”.
 
Na sua resposta a Mark, que mora em Persing, Indiana, e em todas as outras dirigidas aos AAs, desde a Escócia até a África do Sul, os membros do pessoal do Escritório de Serviços Gerais, fazem notar que os pioneiros de A.A. frequentemente utilizavam a palavra“recuperado”, e outros termos também, como, “endireitado”, “libertado”, “mantendo a sobriedade”, para citar alguns. Ao ver seu genro (Ernie G.), sofrer uma recaída após outra, o Dr. Bob cortesmente comentou que nuca tinha “coalhado”.
 
Naqueles primeiros tempos, quando aqueles que alcançavam seis meses de sobriedade já eram considerados veteranos, os membros estavam por demais ocupados tratando de se aferrar à sua sobriedade e não se preocupavam muito com a forma adequada para descrever esse estado feliz. Entretanto, na medida em que a Irmandade foi-se desenvolvendo, muitos membros dizem que são alcoólicos “recuperados”, enquanto outros preferem dizer que estão “em recuperação” querendo significar que se estão mantendo sóbrios e “vivendo um dia de cada vez”.
 
Como Bill W. diz na página113/3/3, do Livro Azul ...“Não estamos curados do alcoolismo. O que temos, na verdade, é um alívio diário, que depende da manutenção de nosso estado espiritual...” . E na carta escrita em 1948 (Na opinião de Bill, pg. 16), disse: “A maioria dos membros sente-se mais segura seguindo o plano de 24 horas que com a resolução de não voltar a beber nunca mais. A maioria já quebrou resoluções demais. Na realidade é uma questão de orientação pessoal: cada membro tem o privilégio de interpretar o programa da maneira que melhor lhe aprouver”.
 
Ao se comunicar com os profissionais do campo do alcoolismo e com outros alheios à Irmandade, de maneira geral e para evitar confusões, o Escritório de Serviços Gerais utiliza a palavra “recuperado”. Se assim não o fizesse, estas pessoas infalivelmente nos iriam perguntar: “O que vocês quem dizer com a expressão ‘em recuperação’, se já faz seis anos que José não toma um trago, porque continua se esforçando para alcançar a sobriedade?”.
 
Entretanto, não há regras. Independentemente da forma com que apareça, como substantivo, verbo, adjetivo ou gerúndio, o essencial da recuperação em A.A. unicamente tem a ver como cada um leva a termo o nosso objetivo primordial – “mantermo-nos sóbrios e ajudar outros alcoólicos a alcançar a sobriedade”. Como diz um membro, meio de brincadeira, “Pode-me chamar de ‘bêbado sóbrio’, ‘alcoólico em recuperação’, ou simplesmente ‘seco’, apenas não me chame tarde para ir à reunião de A.A.; o demais é espuma de batido”. <= Fim da transcrição.
 
N.T.: Ampliando o ponto de vista:
 
1)    Extraído do sítio de pesquisas sobre A.A., não oficial => http://anonpress.org/faq
 
Pergunta: De acordo com o Livro Azul, quando alguém poderá considerar que está recuperado?
Resposta: Na Irmandade parece haver duas correntes de pensamento em relação a este assunto e elas remontam até mesmo ao tempo em que o livro foi escrito; tornam-se evidentes e aparentemente contraditórias no texto ao afirmar que há, sim, recuperação, mas não cura.
Alguns são da opinião de que nunca haverá recuperação se for considerado o texto do Livro Azul (4ª Edição), na página 113/3/3,...“Não estamos curados do alcoolismo. O que temos, na verdade, é um alívio diário, que depende da manutenção de nosso estado espiritual...”
Enquanto isso, a palavra “recuperado/s” aparece no subtítulo do Livro Azul, cujo título completo é, “Alcoólicos Anônimos – A história de mais de cem homens e mulheres que se recuperaram do alcoolismo”, e repetida, em seu significado literal, por volta de 50 vezes ao longo dos onze primeiros capítulos e apêndices (ver abaixo, “Para entender melhor”). 
 
Provenientes do pressuposto de que a recuperação é possível, seguem alguns tópicos que poderão sinalizar sua efetivação:
 
a)      O obvio, a partir do contexto, é quando se obtém a “libertação da obsessão por beber”, página 13/3/4 do Livro Azul e/ou,
b)      Quando se experimenta uma “radical mudança psíquica” segundo o Dr. Silkworth em “A opinião do médico”, página 27/1/15 do Livro Azul, e/ou,
c)      Quando se experimenta uma “experiência espiritual vital” como descrito por Karl Jung na página 57/3/3, capítulo 2 – Há uma solução, e/ou,
d)     Quando alguém experimenta o fenômeno psíquico conhecido como “as promessas do Passo Nove”, na página 112/2/1, capitulo 6 – “Entrando em ação” do Livro Azul e/ou,
e)      Quando se experimenta uma “mudança de personalidade necessária para efetuar a recuperação de alcoolismo...”, como descrito na página 210/1/3, Apêndice II – A experiência espiritual do Livro Azul. Aqui, o Dr. Jung explica que uma “experiência espiritual” é uma transformação súbita, que pode durar apenas alguns minutos ou talvez algumas horas, enquanto um “despertar espiritual” é uma transformação gradual que pode levar dias, semanas, meses ou até mais.
 
2)    Extraído do “Manual do C.C.C.P”, pág. 148, do ESG do México:
 
(Nas divulgações)... Sempre dizer “sou alcoólico recuperado” (*)
 
(*) Alguns membros da Irmandade preferem o termo “alcoólico em recuperação” no lugar de “alcoólico recuperado”. Em A.A., a primeira expressão significa que estamos sempre tentando melhorar. Entretanto, é duvidoso que as pessoas alheias à Irmandade compreendam esta sutil distinção; assim, a segunda expressão é menos confusa para o público em geral e não faz referência a um programa contínuo de recuperação, como o nosso.
 
PARA ENTENDER MELHOR:
 
Relação das citaçõesrecuperação/recuperados, recolhida na 4ª reimpressão da 4ª edição (atualizada - em tese, a versão oficial, e publicada pela primeira vez em fevereiro de2001), do livro Alcoólicos Anônimos (Livro Azul) publicado pela JUNAAB(página/parágrafo/linha):
Prefácio à primeira edição
 
01)   11/1/1 – Nós, de Alcoólicos Anônimos, somos mais cem homens e mulheres que nos recuperamos de uma aparentemente irremediável condição mental e física. Demonstrar a outros alcoólicos exatamente como nos recuperamos é o principal objetivo deste livro...
Prefácio à segunda edição
02)   13/2/3 -... Alcoólicos Anônimos desabrochou em quase 6.000 Grupos cujos membros somam bem mais que 150.000 alcoólicos recuperados...
03)   13/3/4 –... Seis meses antes, o corretor havia sido libertado de sua obsessão pela bebida...
04)   14/3/9 –... Demonstrou também que um trabalho persistente, de um alcoólico com outro, era vital para a recuperação permanente.
05)   14/4/3 –... Seu primeiro caso, desesperador, recuperou-se imediatamente e tornou-se o terceiro membro de A.A.
06) 15/4/12 –... Em fins de 1939, calculava-se que 800 alcoólicos estavam a caminho da recuperação.
Prefácio à terceira edição
07)   19/3/1 – Os princípios básicos do programa de A.A., ao que parece, são válidos para pessoas com os mais variados estilos de vida, assim como o programa temrecuperado indivíduos das mais diversas nacionalidades. Os Doze Passos..., mas traçam exatamente o mesmo caminho para a recuperação que foi desbravado pelos primeiros membros de A.A.
08)   19/4/3 –... Todos os dias, em algum lugar do mundo, uma recuperação tem início quando um alcoólico fala com outro alcoólico...
A opinião do médico
09)   23/4/7 –... Este homem, e mais de cem outros, parece terem-se recuperado...
10) 27/1/14 –... Isto se repete inúmeras vezes e, a menos que essa pessoa possa sofrer uma radical mudança psíquica, há muito pouca esperança derecuperação.
Capítulo 2 – Há uma solução
11)   47/1/1 – Nós, de Alcoólicos Anônimos, conhecemos milhares de homens e mulheres que estiveram, um dia, tão desesperados quanto Bill. Praticamente todos estão recuperados. Resolveram seu problema com a bebida.
12)   50/2/3 -... apesar da opinião em contrario dos especialistas, recuperamo-nos de um estado mental e físico sem esperanças...
13)   58/4/1 – Mais adiante, damos informações precisas sobre como nosrecuperamos.
Capítulo 3 – Mais sobre o alcoolismo
14)   59/2/1 – Aprendemos que precisávamos admitir, do fundo de nossos corações, que éramos alcoólicos. Este é o primeiro passo para a recuperação... Capítulo 4 – Nós, os agnósticos
15)   74/1/1 – Se um simples código moral ou uma melhor filosofia de vida fossem suficientes para dominar o alcoolismo, muitos de nós estaríamos recuperados...Capítulo 5 – Como funciona
16)   87/1/1 – Raramente vimos alguém fracassar tendo seguido cuidadosamente nosso caminho. Os que não se recuperam são pessoas que não conseguem ou não querem... Existem também as que sofrem de graves distúrbios mentais e emocionais, mas muitas delas se recuperam, se tiverem a capacidade de serem honestas.
17)   88/3/1 – Eis os passos que demos, e que são sugeridos como um programa derecuperação.
Capítulo 7 – Trabalhando com os outros
18) 117/2/1 -... Observar as pessoas se recuperarem, vê-las ajudando outras, observar a solidão desaparecer,...
19) 117/3/1 – Talvez você conheça bebedores que desejem se recuperar...
20) 118/4/9 -... Se ele disser que sim, então você deve ser mencionado como alguém que pertence a uma irmandade cujos membros, dentro de seu programa derecuperação, tentam ajudar outros...
21)124/1/10 -... Ele diz sempre que, se tivesse insistido em trabalhar com aquelas pessoas, poderia ter privado muitas outras, que se recuperaram, de suas oportunidades.
22) 124/2/2 -... Ele leu este livro e diz que está preparado para praticar os Doze Passos do programa de recuperação...
23) 124/4/2 -... Ajudar os outros é a pedra fundamental de nossa recuperação...
24) 125/3/4 -... Caso eles aceitem e pratiquem os princípios espirituais, há muito mais chances de que o chefe de família se recupere...
25) 126/2/1 – Convença todas as pessoas de que podem se recuperarindependentemente de qualquer um...
26) 127/2/1 – Se houver um divórcio ou separação, não deve haver presa em reunir o casal. O homem deve estar seguro quanto à sua recuperação. A mulher deve compreender inteiramente seu novo modo de vida...
27) 127/3/1 – Não permita que um alcoólico diga que não consegue se recuperar se não tiver a família de volta. Não é verdade... Vimos outros recaírem quando a família voltou cedo demais.
Capítulo 8 – Às esposas
28) 133/1/5 -... Tem sido evidente que as mulheres, quando seguem nossas sugestões,recuperam a saúde com tanta facilidade quanto os homens.
29) 139/2/8 -... Muitos, entre nossos maridos, haviam chegado a este ponto. Entretanto, estão recuperados.
30)    141-142/5/5 -... Ele sabe que milhares de homens, bem perecidos com ele, já serecuperaram... Espere até que vários passos em falso o convençam de que ele precisa agir, pois quanto mais você o apresar, mais pode estar adiando suarecuperação.
31) 142/3/1 – Você pode imaginar que os homens do tipo número quatro sejam praticamente irrecuperáveis, mas não é assim... Entretanto, tais homens tiveram, com freqüência, recuperações espetaculares e impressionantes.
Capítulo 9 – A família depois
32) 151/1/1 - As esposas sugeriram algumas atitudes a serem tomadas em relação aos maridos em recuperação...
33) 161/2/4 -... Mas porque não deveríamos rir? Estamo-nos recuperando e nos foi dado o poder de ajudar outras pessoas.
34) 161/4/1 – Agora, falemos de saúde. Um corpo seriamente consumido pelo álcool não se recupera, muitas vezes, da noite para o dia... Nós, que nos recuperamosda embriaguez, somos milagres da saúde mental...
35) 163/4/1 – Viva ou não sua família segundo bases espirituais, o alcoólico precisa fazer isto, se quiser se recuperar...
Capítulo 10 – Aos empregadores
36) 168/2/5 -... Para mim, isto ilustra a falta de compreensão quanto ao que realmente aflige o alcoólico e a falta de conhecimento a respeito do papel que os empregadores poderiam desempenhar na recuperação de seus funcionários doentes.
37) 171/3/5 -... É preciso que ele entenda bem isto. Ou você está lidando com um homem que pode e quer se recuperar, ou não está...
38) 171/4/1 – Depois de se certificar de que seu empregado quer se recuperar e que fará o que for preciso para conseguir, ...
39) 172/2/7 -... Todos nós precisamos colocar a recuperação acima de tudo o mais, pois sem a recuperação teríamos perdido tanto o lar quanto o emprego.
40) 172/3/1 – Você pode confiar totalmente em sua capacidade de se recuperar? Por falar em confiança...
41) 175/2/5 -... Um alcoólico em recuperação, ocupando um cargo relativamente importante, pode conversar com alguém hierarquicamente superior...
42) 175/3/4 -... Se estiver, ou ainda estiver tentando se recuperar, ele lhe dirá a verdade, mesmo que isto signifique a perda do emprego... Se estiver seguindo conscientemente o programa de recuperação, poderá ir a qualquer lugar que seu trabalho exigir.
43) 176/2/2 -... Não deve receber privilégios. O homem correto, do tipo que serecupera, não deseja isto. Não os aceitará...
Capítulo 11 – Uma visão para você
44) 181/2/7 -...  A era dos milagres ainda existe. Nossa própria recuperação é uma prova.
45) 182/4/1 – Mas, e quanto a suas responsabilidades – sua família e os homens que morreriam porque não sabiam como se recuperar?...
46) 189/3/2 -... Compreendendo o nosso trabalho, ele consegue identificar aqueles que estão dispostos e são capazes de se recuperar em bases espirituais...
Apêndice I – As Doze Tradições
47) 207/4/2 – (Terceira Tradição, forma integral)... Não podemos, portanto, recusar pessoa alguma que deseje recuperar-se...
Apêndice II – A experiência espiritual
48) 211/2/ -... muitos alcoólicos chegaram à conclusão de que para se recuperaremteriam de adquirir uma imediata e profunda “consciência de Deus”, seguida logo por uma grande mudança de sentimentos e atitudes.
49) 211/6/1 - Queremos frisar que – à luz da nossa experiência – qualquer alcoólico capaz de encarar seus problemas com honestidade pode se recuperar, sempre que não fechar sua mente a todos os conceitos espirituais...
50) 212/2/2 -... A boa vontade, a honestidade e uma mente aberta são os elementos necessários à recuperação. E são indispensáveis.
 
Informação adicional:
 
James Houck Lane (1906-2006) foi um personagem de excepcional importância, para A.A. e para o Grupo de Oxford. Ele ingressou no Grupo de Oxford em Frederick, Maryland, no dia 12 de dezembro de 1934, um dia depois da 4ª e última internação de Bill W., no Towns Hospital; nunca se desligou desse movimento acompanhando ele em todas as denominações que seguiram à de Grupo de Oxford, que foi excluída em 1938 (Movimento de Rearmamento Moral, Iniciativas de Mudança (IdeM), e, atualmente [2012], Iniciativas de Mudança Internacional (IdeM Internacional), e ao mesmo tempo acompanhou todo o processo de criação e evolução de A.A. servindo de conselheiro para muitos AAs, e consultor para os órgãos de serviço, incluindo os arquivos históricos do GSO. Ingressou oficialmente em A.A. em 1986, aos 80 anos de idade, para ajudar um neto que estava com problemas por causa da bebida. Dada a sua longevidade, ele morreu com cem anos de idade, sendo 71 de sobriedade, é considerado pelas duas instituições como “O Ancião das duas Tribos”.
 
Em 22 de agosto de 2005, James H., gravou um DVD onde descreve sua carreira alcoólica, o inicio de sua recuperação em 12/12/1934, seu relacionamento com Bill W., seu conhecimento do programa de recuperação nos primórdios de A.A. e como ele transmitia a mensagem naquele tempo.
 
Nesta gravação James H., diz que é um “alcoólico recuperado”, segundo ele, o mesmo termo utilizado por Bill W., o Dr. Bob, os pioneiros de A.A., e a proposta do texto do Livro Azul. Considera o termo “em recuperação” depreciativo porque se refere a alguém que ainda se debate com o problema ao invés de viver a solução. Diz que esta expressão ritual –“alcoólico em recuperação”, seguido pelo coro “Oi, olá, falou,____”, evoluiu a partir dos centros de tratamento em 1970 e não faz parte do programa original de A.A.“Para mim, ‘em recuperação’, significa que você ainda não fez a lição de casa. Você não tem certeza de sua posição. Estou absolutamente seguro de minha posição. Deus tirou o álcool da minha vida, e para sempre, em 12/12/1934”.
 
(Para saber mais procure em: James H. aa - Back to Basics e correlatos)